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Schiaparelli recria joias roubadas do Louvre em desfile de Alta-Costura

Três meses após o roubo no Museu do Louvre, a grife Schiaparelli recria réplicas artísticas das joias da Imperatriz Eugênia para a abertura da Semana de Alta-Costura

Teyana Taylor usando uma tiara inspirada nas joias da coroa roubadas do Louvre / Créditos: Reprodução / Instagram via @circolare

Três meses após o assalto que retirou peças inestimáveis do Museu do Louvre, o brilho das joias da Imperatriz Eugênia retornou a Paris. Na abertura da Semana de Alta-Costura, a grife Schiaparelli surpreendeu o público ao apresentar réplicas artísticas dos tesouros desaparecidos.

As peças foram usadas pela atriz Teyana Taylor, vencedora do Globo de Ouro, unindo o drama do crime real ao luxo das passarelas.

O diretor criativo da marca, Daniel Roseberry, revelou que a ideia surgiu durante uma caminhada logo após o roubo de outubro de 2025. Na ocasião, criminosos levaram mais de 100 milhões de dólares em itens históricos. Para o estilista, transformar o luto do patrimônio francês em arte foi uma forma de processar o choque que atingiu o país.

O resgate da estética imperial

De acordo com informações da revista Smithsonian, as peças recriadas por Roseberry focam em dois marcos da monarquia francesa: a tiara de pérolas e o broche de laço da Imperatriz Eugênia.

No entanto, o designer não buscou uma cópia idêntica. Ele aplicou uma visão mais tridimensional e exagerada, característica de seu trabalho na Schiaparelli. Enquanto a tiara original de 1853 contava com quase 2.000 diamantes, a versão da passarela ganhou contornos mais altos e modernos.

Além do diadema, o broche de laço — avaliado originalmente em 10 milhões de dólares — também foi reimaginado. De acordo com Roseberry, o objetivo era capturar o “gancho” visual das peças, tornando-as tão memoráveis quanto um hit da música pop. Essa abordagem mistura a técnica rigorosa da alta-costura com o impacto mediático imediato.

Coleção nova

A coleção, intitulada “A Agonia e o Êxtase”, reflete o estado emocional de Paris após o crime. O presidente Emmanuel Macron chegou a classificar o roubo como um ataque direto à identidade da França.

Por isso, a escolha do tema não foi por acaso. Roseberry buscou referências tanto nas joias roubadas do Louvre quanto na sua visita à bela Capela Sistina para compor a nova coleção.

Atualmente, o paradeiro das joias originais permanece um mistério. Enquanto as investigações continuam e o Louvre reforça sua segurança após sucessivas greves, a moda cumpre o papel de manter viva a memória desses objetos.

Assim, as réplicas de Roseberry deixam de ser apenas acessórios para se tornarem um manifesto sobre a permanência da arte.