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Satanás II: conheça o míssil nuclear mais poderoso da Rússia

Chamado de Satanás II no Ocidente, o míssil Sarmat é a aposta nuclear definitiva da Rússia, e é descrito por Putin como o mais poderoso do mundo

O novo míssil russo "Satan II" / Crédito: Divulgação/Russian Defense Ministry

O míssil balístico intercontinental Sarmat, apelidado no Ocidente de “Satan II” (“Satanás II”, em português), voltou ao centro das atenções internacionais após a Rússia anunciar, nesta terça-feira, 12, um novo teste bem-sucedido do armamento. Considerado uma das principais apostas nucleares do governo de Vladimir Putin, o equipamento foi descrito pelo Kremlin como “o míssil mais poderoso do mundo”.

Desenvolvido para substituir os antigos mísseis soviéticos Voyevoda, o Sarmat faz parte do programa de modernização nuclear conduzido pela Rússia desde os anos 2000. Segundo Putin, o armamento deve entrar oficialmente em operação até o fim deste ano.

“Este é o sistema de mísseis mais poderoso do mundo”, disse Vladimir Putin, em comunicado divulgado pelo Kremlin.

Como é?

O Sarmat é um míssil balístico intercontinental de combustível líquido com capacidade para transportar ogivas nucleares. Projetado para atingir alvos a milhares de quilômetros de distância, ele foi criado para reforçar a capacidade de dissuasão nuclear da Rússia diante dos Estados Unidos e da Otan.

O armamento pode ser lançado a partir de silos subterrâneos e, segundo Moscou, possui recursos para escapar de sistemas modernos de defesa antimísseis, ampliando sua capacidade estratégica em caso de confronto nuclear.

O desenvolvimento do projeto começou em 2011, mas enfrentou atrasos e falhas ao longo dos últimos anos. Especialistas ocidentais apontam que um teste realizado em 2024 terminou em explosão na base de lançamento, levantando dúvidas sobre a plena operacionalidade do sistema.

O apelido “Satan II” surgiu no Ocidente por conta de sua associação com o míssil soviético R-36M Voyevoda, conhecido pela Otan como “SS-18 Satan”. Embora a Rússia não utilize oficialmente essa nomenclatura, o nome acabou se popularizando na imprensa internacional devido ao alto potencial destrutivo atribuído ao armamento.

Segundo Putin, o Sarmat possui potência superior à dos modelos ocidentais. “A potência total da carga nuclear transportada supera em mais de quatro vezes a potência de qualquer equivalente ocidental existente”, declarou o presidente russo, segundo comunicado do Kremlin.

De acordo com o governo russo, o míssil pode ultrapassar 35 mil quilômetros de alcance e seguir não apenas uma trajetória balística tradicional, mas também rotas suborbitais. Isso permitiria atingir alvos por diferentes direções, dificultando a interceptação por sistemas de defesa aérea.

Putin também afirmou que o armamento “tem capacidade de superar todos os sistemas atuais e futuros de defesa antimísseis”. No entanto, a agência Reuters destacou que analistas de segurança ocidentais questionam parte das alegações russas sobre as capacidades do Sarmat e de outras armas estratégicas anunciadas nos últimos anos.

O Sarmat integra uma nova geração de armas estratégicas desenvolvidas pela Rússia nas últimas décadas. Entre elas estão o veículo hipersônico Avangard, o míssil Kinzhal, o sistema Oreshnik e o drone submarino Poseidon, repercute o UOL.

Segundo Moscou, a intensificação desse programa ocorreu após a saída dos Estados Unidos, em 2002, do tratado que limitava sistemas de defesa antimísseis. “Fomos obrigados a pensar em garantir nossa segurança estratégica diante da nova realidade”, disse Putin no pronunciamento divulgado pelo Kremlin.

Desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022, o presidente russo tem feito repetidas menções ao arsenal nuclear russo em meio ao aumento das tensões com o Ocidente, tornando o Sarmat um dos principais símbolos dessa estratégia de dissuasão militar.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.