Robô com pernas pode ampliar a exploração espacial
Novo robô com pernas pode ampliar o alcance de exploração espacial e acelerar análise de rochas

O robô semiautomático, que funciona sem depender de intervenção humana, é uma alternativa promissora para auxiliar na exploração de superfícies planetárias.
A exploração comum ainda possui algumas limitações operacionais importantes. O atraso na comunicação entre a Terra e os veículos de exploração variam de quatro a 22 minutos, fazendo a equipe científica planejar cada passo com antecedência.
A área de exploração também costuma ser limitada, os robôs se deslocam lentamente por terrenos hostis, devido a necessidade de garantir a segurança e eficiência energética.
O estudo publicado na revista Frontiers in Space Technologies, nesta segunda-feira, 30, apresenta uma alternativa para acabar com essas limitações. O robô semiautomático, capaz de analisar múltiplos alvos de forma sequencial, é mais autônomo e funciona sem depender de intervenção humana constante, repercutiu a revista Galileu.
O robô é capaz de se deslocar de forma independente entre pontos de interesse, fazendo a medição de cada um deles. Essa abordagem acelera significativamente tanto a prospecção de recursos quanto a busca por bioassinaturas, destacam os autores em comunicado.
O estudo buscava avaliar se o robô com instrumentos científicos seria capaz de trazer resultados em menos tempo. O resultado foi positivo, visto que, apesar de ter uma carga útil simples, seu sistema foi capaz de identificar rochas importantes para a exploração de recursos naturais fora da Terra.
Nos testes, os pesquisadores utilizaram um robô quadrúpede ANYmal, equipado com um braço robótica, sistema de imagem microscópica e um espectrômetro Raman portátil. Os testes foram feitos em um ambiente que simula condições planetárias, com materiais similares ao regolito lunar e iluminação semelhante à encontrada fora da Terra.
O robô quadrúpede mostrou sua autonomia ao se aproximar de alvos que estavam pré-definidos, posicionar seus instrumentos e coletar dados em forma de imagem e espectros. Ele conseguiu identificar algumas formações que são relevantes para futuras missões lunares.
Comparação
A equipe fez uma comparação entre as duas formas de exploração espacial. As operações feitas de forma tradicional, que exige forte supervisão humana, levaram cerca de 41 minutos, enquanto missões com o semiautomático foram concluídas entre 12 e 23 minutos.
O semiautomático identificou corretamente todos os dados coletados, indicando que a autonomia e velocidade não comprometem a precisão dos dados.
Sua operação rápida e independente tem a capacidade de transformar futuras missões espaciais. O estudo sugere que a mobilidade avançada e compacta pode ser mais eficiente que o uso de equipamentos pesados.
Sistemas semiautomático podem desempenhar um papel central nas novas missões, ampliando a área explorada, reduzindo custos operacionais e aumentando o retorno científico da missão.