Restos mortais e pertences de aristocrata do século 7 a.C. são descobertos na Grécia
Restos mortais e pertences de aristocrata decadente do século 7 a.C. são descobertos durante escavação em Beócia, na Grécia; confira!

Em outubro, o Ministério do Turismo da Grécia anunciou uma importante descoberta arqueológica na região da Beócia. Durante escavações em um cemitério datado dos períodos Arcaico e Clássico, foram encontrados os restos de uma aristocrata do século 7 a.C., além de vestígios arquitetônicos que indicam a presença de um assentamento fortificado nas proximidades.
O cemitério em questão apresenta uma organização em grupos, contendo sepulturas que variam entre covas simples e estruturas com telhas, além de piras funerárias. Até o momento, quarenta sepulturas foram analisadas, revelando indícios de que a área foi habitada por indivíduos de elevado status social e condições de vida privilegiadas.
Dentre as descobertas mais significativas, destaca-se o túmulo conhecido como “Dama do diadema invertido“, que consiste em um conjunto de três sepulturas subterrâneas. Análises preliminares da arcada dentária sugerem que a mulher teria entre 20 e 30 anos na época de sua morte. O diadema encontrado sobre sua cabeça, uma coroa elaborada em bronze, é considerado um símbolo de sua posição social elevada.
Segundo informado pelo Ministério em comunicado, “o elaborado diadema foi feita com uma técnica de repuxo e ostenta a decoração atual de pares de leões heráldicos frente a frente, macho e fêmea, animais que simbolizam o poder e a autoridade reais por excelência”. Contudo, o posicionamento invertido do diadema no sepulcro levanta questões interpretativas: nos tempos contemporâneos, tal disposição pode simbolizar a renúncia ou a queda de uma figura monárquica, sugerindo a perda de poder e prestígio.

“O sepultamento da nobre se insere cronologicamente no contexto sociopolítico de transição de meados do século 7 a.C., período em que o sistema de realiza hereditária ancestral foi abalado e a ascensão da nobreza levou, no período seguinte, à prevalência da oligarquia e do sistema aristocrático”, complementa o comunicado.
A riqueza e status associados ao sepultamento são evidenciados pela vasta coleção de oferendas encontradas junto ao corpo. Entre os itens coletados pelos arqueólogos estão fivelas ornamentais, um colar em forma de vaso, contas confeccionadas em osso e marfim, rosetas laminadas, brincos de cobre, pulseiras e anéis adornando todos os dedos da falecida.
Outra descoberta

Além do túmulo da Dama do diadema invertido, a equipe arqueológica também identificou o sepulcro de uma menina com apenas quatro anos. Este túmulo continha um diadema de bronze decorado com rosetas incrustadas. Acredita-se que ambas as sepulturas tenham sido realizadas na mesma época, sugerindo um vínculo familiar entre a criança e a aristocrata, conforme repercute a Revista Galileu.