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Relevos pré-hispânicos em estuque são descobertos em Tlaxcala, no México

Peças do período Epiclássico foram encontradas em pátio palaciano e podem ser associadas à fertilidade e indicar poder de elites pré-hispânicas

Relevo pré-hispânico descoberto no México / Crédito: Divulgação/CINAH Tlaxcala/Enrique Chávez

Autoridades anunciaram a descoberta de dois altos-relevos em estuque no município de Tetlatlahuca, no estado de Tlaxcala, no México, atribuídos ao período Epiclássico da Mesoamérica (650-900 d.C.). As peças, encontradas no topo do Cerro de las Tres Cruces, apresentam sinais de decapitação intencional e podem estar relacionadas à representação de poder de uma antiga linhagem indígena.

O achado foi divulgado pelo Ministério da Cultura do Governo do México e pelo Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH). A secretária de Cultura, Claudia Curiel de Icaza, afirmou em comunicado que a descoberta contribui para aprofundar o conhecimento sobre a história pré-hispânica da região e reforça a necessidade de preservar o patrimônio arqueológico. “Cada descoberta nos permite compreender melhor a grandeza histórica de nossos territórios e reafirma a responsabilidade de preservar esse legado para as gerações futuras.”

Os relevos medem aproximadamente 1,80 metro de comprimento por 40 centímetros de altura, no caso da peça localizada ao norte, e 1,45 metro por 30 centímetros na estrutura ao sul. Ambos foram identificados durante um projeto de resgate arqueológico conduzido pelo INAH desde fevereiro deste ano.

De acordo com os pesquisadores, os elementos estavam posicionados em uma área que possivelmente funcionava como um pátio de caráter palaciano. Essa configuração levanta a hipótese de que o local integrasse um complexo residencial associado a elites, seguindo padrões arquitetônicos semelhantes aos observados em sítios vizinhos, como Cacaxtla.

Relevo pré-hispânico descoberto no México / Crédito: Divulgação/CINAH Tlaxcala/Enrique Chávez

Possíveis significados

Responsável pelo trabalho de campo, o arqueólogo Ramón Santacruz Cano explicou que o estado fragmentado das peças dificulta a interpretação precisa das cenas representadas. Ainda assim, é possível identificar elementos simbólicos ligados à fertilidade, como figuras de serpentes. Em um dos relevos, há vestígios de uma língua bifurcada e fragmentos de presas, possivelmente associados ao deus Tláloc.

Segundo o pesquisador, representações de serpentes eram recorrentes em contextos ligados às elites em diferentes centros mesoamericanos, tanto em Teotihuacan quanto em sítios do período Epiclássico, como Xochicalco e a própria Cacaxtla. Esses elementos indicam que os relevos podem ter desempenhado um papel simbólico em espaços de poder.

As escavações também permitiram identificar vestígios arquitetônicos adicionais, como pisos e paredes com reboco exposto, além da delimitação dos quatro cantos do pátio onde os relevos foram encontrados. Fragmentos de pinturas murais, com características semelhantes ao estilo de Cacaxtla, foram recuperados na parte oeste do sítio, ampliando o conjunto de evidências sobre a ocupação da área.

Para Santacruz Cano, a descoberta contribui para a compreensão da arquitetura monumental do período Epiclássico em Tlaxcala e sugere que o poder político e econômico da época não estava concentrado em um único centro, mas distribuído entre diferentes localidades da região, como Tetlatlahuca, Teacalco e San Juan Huactzinco.

Após a identificação, os relevos passaram por processos de consolidação com materiais compatíveis, com o objetivo de evitar danos estruturais. A curto prazo, as peças serão cobertas para garantir sua preservação até que haja condições adequadas para eventual abertura ao público.

Como parte das medidas de proteção, a administração municipal de Tetlatlahuca se comprometeu a instalar cercas ao redor do sítio arqueológico e a reforçar a segurança da área. Paralelamente, o INAH firmou um acordo de colaboração com autoridades locais para promover ações de pesquisa, conservação e divulgação do patrimônio cultural.

Durante a visita institucional ao estado, o diretor-geral do INAH, Omar Vázquez Herrera, destacou a importância da cooperação entre diferentes níveis de governo e da participação da sociedade na preservação dos sítios arqueológicos. Segundo ele, iniciativas desse tipo são fundamentais para assegurar a continuidade dos trabalhos e a proteção dos vestígios históricos identificados.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.