Reino Unido atinge a maior taxa de matricídio em 16 anos
Reino Unido registra a maior taxa de matricídio em 16 anos; quase 20% das mulheres mortas por homens no último ano foram vítimas dos filhos

Quase uma em cada cinco mulheres assassinadas por homens no Reino Unido no último ano foi vítima do próprio filho.
Consequentemente, os novos dados do Censo de Feminicídio revelam a maior taxa de matricídio registrada nos últimos 16 anos. Ao todo, 19 mães perderam a vida em casos onde os filhos são os principais suspeitos do crime.
Tributo no parlamento
Diante dessa triste realidade, os nomes dessas 19 vítimas ganharão um doloroso eco no parlamento britânico nesta quinta-feira.
De acordo com informações do jornal The Guardian, pelo 11º ano consecutivo, a parlamentar Jess Phillips fará a leitura dos nomes das 108 mulheres mortas por homens durante os últimos 12 meses.
Para viabilizar isso, Phillips precisará solicitar uma autorização especial para estender seu tempo de fala, visto que a homenagem durará mais de cinco minutos.
Crise e negligência
A organização Censo de Feminicídio tem acompanhado a escalada dessa violência com profunda preocupação. Segundo a cofundadora Clarrie O’Callaghan, o colapso nos serviços de saúde mental, o abuso de substâncias e a insegurança habitacional são fatores cruciais para a alta.
Além disso, ela aponta que muitos agressores voltam a morar com as mães após acumularem históricos de abuso contra ex-parceiras.
Apesar dos reiterados alertas feitos ao longo da última década, as agências estatais ainda falham em agir preventivamente. Nesse sentido, O’Callaghan destaca que as mulheres mais velhas raramente são reconhecidas como um grupo de risco para violência fatal dentro de casa.
Isso por conta da falta de serviços de apoio especificamente direcionados e políticas de proteção eficazes para essas mães.
Promessas do governo
Em resposta ao cenário de violência, o governo britânico publicou sua estratégia de combate à violência contra mulheres e meninas (VAWG). O plano prevê ensinar sobre relacionamentos saudáveis nas escolas e capacitar professores para intervir em comportamentos nocivos.
Embora organizações feministas tenham considerado o documento oficial como um marco, há um forte alerta sobre a insuficiência de verbas.
Atualmente, o governo defende que a nova estratégia é apoiada por um financiamento de 1 bilhão de libras. Contudo, Clarrie O’Callaghan reforça que o setor precisa de novos recursos, e não de verbas já comprometidas sendo apenas redistribuídas.
Por fim, sem repasses reais, as instituições de caridade especializadas continuam correndo o grave risco de encerrar suas atividades.