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Região árabe registra o ano mais quente de sua história

Em novo relatório climático, a região árabe — que vai do Marrocos aos Emirados Árabes Unidos — registrou o ano mais quente de sua história

Fotografia tirada em praia em Dubai / Crédito: Getty Images

A região árabe, composta por 22 países no norte da África e no Oriente Médio, registrou em 2024 a temperatura média mais elevada já documentada em sua história, conforme aponta um novo relatório climático. O estudo revela que a temperatura média na região superou em 1,08 graus Celsius a média anual registrada entre 1991 e 2020.

O aumento das temperaturas na região está acompanhado por um crescimento alarmante de eventos climáticos extremos, como inundações e ondas de calor. Esses dados foram divulgados no primeiro relatório do “Estado do Clima na Região Árabe”, publicado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) no dia 4 de dezembro.

Celeste Saulo, Secretária-Geral da OMM, enfatizou em comunicado que “2024 foi o ano mais quente já registrado na região árabe — uma continuação de uma tendência de longo prazo”. Ela destacou que algumas ondas de calor estão “levando a sociedade ao limite. A saúde humana, os ecossistemas e as economias não conseguem lidar com períodos prolongados acima de 50° Celsius — é simplesmente quente demais para suportar”.

A vasta área da região árabe abrange cerca 13 milhões de quilômetros quadrados, se estendendo desde o Marrocos até os Emirados Árabes Unidos. Notavelmente, 15 dos 20 países mais carentes em água do mundo estão localizados nesse território. Embora a maior parte da região seja caracterizada por um clima seco e árido, algumas áreas do norte da África vivenciam invernos mais úmidos.

O relatório revela que a temperatura média da região aumentou aproximadamente 0,43 °C por década entre 1991 e 2024, taxa que é o dobro da média global nesse mesmo período e também do intervalo entre 1961 e 1990.

Durante a última década, especificamente entre 2015 e 2024, as temperaturas na região estavam cerca de 0,58 °C acima da média de 1991 a 2020 e cerca de 1,44 °C acima da média registrada entre 1961 e 1990. Em 2024, vários países enfrentaram múltiplas ondas de calor, algumas delas se estendendo por até duas semanas. No sudeste do Oriente Próximo, foram contabilizados 12 dias em que a temperatura máxima alcançou pelo menos 50 °C.

Secas severas

Além dos extremos térmicos, partes do norte da África enfrentaram seca pelo sexto ano consecutivo, uma situação que não é incomum para a região. As chuvas que ocorreram após longos períodos de seca resultaram em inundações repentinas em diversos países, incluindo Marrocos, Líbia, Somália e Líbano.

“As secas estão se tornando mais frequentes e severas em uma das regiões do mundo com maior escassez hídrica“, afirmou Saulo. “E, ao mesmo tempo, temos visto algumas enchentes devastadoras e perigosas“.

O relatório sugere que sistemas de alerta precoce para eventos climáticos severos e desastres naturais como inundações poderiam proteger as populações locais à medida que esses eventos se tornam mais recorrentes. Saulo frisou que “sistemas de alerta precoce para múltiplos riscos são mais importantes do que nunca — isso não é um custo, mas um investimento para salvar vidas e meios de subsistência. Quase 60% dos países árabes possuem esses sistemas, acima da média global, mas ainda insuficiente”.

Diversas nações também estão investindo em estratégias para melhorar a gestão hídrica, incluindo dessalinização da água do mar, construção de novas barragens e criação de instalações para tratamento de águas residuais, conforme repercute o Live Science.

De acordo com Ahmed Aboul Gheit, Secretário-Geral da Liga dos Estados Árabes, em comunicado, o relatório representa um “passo qualitativo para aprimorar nossa compreensão coletiva dos padrões climáticos, dos riscos associados e de seus impactos sociais e econômicos”.

Além disso, o documento apresenta previsões sobre cenários climáticos futuros na região elaboradas pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), oferecendo uma base para planejar os impactos climáticos nos próximos anos. Rola Dashti, Secretária Executiva da Comissão Econômica e Social das Nações Unidas para a Ásia Ocidental, destacou que “ao incorporar projeções climáticas, o relatório fornece um panorama anual das condições atuais, servindo também como uma ferramenta de previsão estratégica que capacita a região a se preparar para as realidades climáticas de amanhã”.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.