Recém-inauguradas, estações de metrô de Roma são transformadas em museus a céu aberto
Estações de metrô construídas sob o Coliseu de Roma exibem ao público artefatos descobertos durante período de obras

Roma inaugurou, após mais de uma década de projetos e escavações, duas novas estações de metrô que reforçam sua fama de museu a céu aberto. A capital da Itália, que segue revelando achados arqueológicos mesmo após séculos de estudos, agora permite que moradores e turistas entrem em contato com vestígios de mundos antigos em locais pouco prováveis, como estações do transporte público.
As estações Colosseo–Fori Imperiali e Porta Metronia foram abertas no dia 16 de dezembro como parte da Linha C do metrô romano. Além de ampliarem as opções de mobilidade urbana, elas agregam valor cultural à cidade ao funcionarem também como espaços museológicos, exibindo artefatos históricos encontrados durante as obras de construção.
Como destacou o portal Galileu, as duas estações em questão estendem o trajeto da Linha C, que atende a região leste de Roma, ligando a área do Coliseu e do Fórum Romano, na estação Colosseo–Fori Imperiali, aos subúrbios do bairro Finocchio, na estação Monte Compatri–Pantano. Elas também marcam a primeira integração da Linha C com a Linha B, responsável por conectar a cidade de norte a sul.
Patrimônio cultural
A estação Colosseo–Fori Imperiali é considerada um feito de engenharia e parte integrante do patrimônio cultural romano, conforme descrito no projeto da Linha C. Construída a cerca de 40 metros abaixo da superfície, sua inauguração foi adiada por anos, em grande parte devido aos vestígios arqueológicos milenares revelados durante as escavações.
“Escavar aqui significava trabalhar na ponta dos pés, conscientes de que estávamos sobre os alicerces da civilização romana. Cada gesto tinha que ser preciso, cada vibração controlada, cada descoberta valorizada”, afirmou Elisa Cella, arqueóloga do Parque Arqueológico do Coliseu, em entrevista à revista We Build Value.
Entre ruínas de banhos termais, quartéis militares e fragmentos de estátuas romanas, diversos achados que permaneceram enterrados por séculos agora estão acessíveis ao público dentro das estações. Ao atravessar as catracas da estação Colosseo–Fori Imperiali, após admirar o Coliseu na paisagem urbana, os visitantes encontram uma exposição multimídia com textos, áudios, vídeos e os próprios artefatos arqueológicos.

Complexo termal
O destaque central da mostra é um complexo termal que se acredita datar do início do Império Romano, possivelmente anterior ao grande incêndio de Roma em 64 d.C., durante o reinado de Nero. Tanto a piscina com degraus quanto o laconicum — uma sala circular utilizada como sauna — foram escavados, removidos, restaurados e reinstalados dentro da estação. O conjunto é acompanhado por outras descobertas, como 28 poços utilizados antes mesmo da construção do primeiro aqueduto romano.
Além das grandes estruturas, a exposição também valoriza peças individuais. Um dos achados mais notáveis é o fragmento de uma gigantesca cabeça de mármore de Medusa, originalmente pertencente ao Templo de Vênus e Roma. Acredita-se que a peça integrasse uma série de máscaras colossais do século 2 d.C., produzidas durante o reinado do imperador Adriano, algumas das quais hoje estão nos Museus do Vaticano.

Estátua
Outro item de destaque é a base de uma estátua de Passifilus, um dos chamados praefectus urbi, autoridades nomeadas pelo imperador para manter a ordem na cidade. Seu nome aparece em diversas inscrições epigráficas ligadas a obras públicas realizadas entre o final do século 5 e o início do século 6 d.C., sendo encontrado até mesmo em um dos assentos do Coliseu reservados aos senadores.
No percurso até a estação Porta Metronia, perfurações revelaram um quartel militar com quase dois mil anos de idade, incluindo a residência de um comandante decorada com afrescos e pisos de mosaico. Os soldados que ocupavam o local faziam parte da guarda imperial ou atuavam na segurança urbana. Segundo o The Guardian, a estrutura foi descoberta entre 7 e 12 metros de profundidade e data do início do século 2 d.C., anterior à construção da Muralha Aureliana.