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O segredo das câmaras reais no desenvolvimento das abelhas

Novo estudo revela que o ambiente das realeiras e a cera especial produzida por operárias jovens são fundamentais para criar futuras rainhas

Câmaras em formato de amendoim projetadas para o desenvolvimento das abelhas rainhas - Piscisgate via Wikimedia Commons sob licença CC BY-SA 4.0

Durante séculos, o consenso científico ditava que a transformação de uma larva em rainha dependia quase exclusivamente do consumo de geleia real. No entanto, uma pesquisa publicada na revista Nature revela que a realeza das abelhas exige muito mais do que um cardápio diferenciado. 

O ambiente onde esses insetos se desenvolvem desempenha um papel crucial, transformando a máxima “você é o que você come” em “você também é onde você vive”.

Segredos da cera real 

As futuras soberanas crescem em compartimentos especializados conhecidos como realeiras. Diferente dos tradicionais alvéolos hexagonais destinados às operárias, essas câmaras possuem um formato curioso que lembra um amendoim. 

Conforme o estudo liderado por Kai Wang, pesquisador da Academia Chinesa de Ciências Agrárias, a cera dessas estruturas possui propriedades químicas e físicas únicas: menos densa, mais maleável e com um ponto de fusão superior ao da cera encontrada no restante da colmeia.

Construtoras de elite 

A descoberta também revelou um grupo até então desconhecido de operárias jovens, batizadas pelos cientistas de “construtoras de células reais”. Esses insetos elevam sua temperatura corporal para moldar e enriquecer a cera com substâncias químicas específicas, como compostos gordurosos chamados lipídios. 

Segundo o entomologista Boris Baer, diretor de um centro de pesquisa na Universidade da Califórnia que colaborou com o projeto, essas abelhas criam um microambiente sofisticado que garante o desenvolvimento saudável da larva através de um clima ideal de calor e umidade.

Ambiente determina a sobrevivência 

Para comprovar a importância do habitat, a equipe realizou experimentos criando larvas em células feitas com cera comum de operárias. Mesmo alimentadas com a nutritiva geleia real, essas abelhas tiveram taxas de mortalidade mais altas e geraram rainhas menores e menos robustas, repercute a Smithsonian Magazine.

Os dados experimentais indicam que o ambiente bioquímico das realeiras é um fator determinante para que o inseto atinja seu pleno potencial reprodutivo. O resultado evidencia que a nobreza biológica é fruto de uma combinação entre nutrição e uma complexa engenharia natural.


*Sob supervisão de Éric Moreira