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O fator decisivo no futuro das abelhas, segundo estudo

Pesquisa com abelhas mamangabas mostrou que as operárias influenciam quais larvas se transformarão em rainhas

Colmeia de abelhas - Getty Images

Um novo estudo liderado por pesquisadores da Penn State University sugere que o destino das abelhas dentro de uma colmeia não é determinado diretamente pela rainha. Segundo os cientistas, as operárias desempenham um papel fundamental nesse processo ao influenciar quais larvas se desenvolverão como futuras rainhas.

A pesquisa, publicada em 14 de abril na revista científica Insect Biochemistry and Molecular Biology, e repercutida pela revista Galileu, investigou o desenvolvimento das abelhas mamangabas e buscou entender por que indivíduos originados dos mesmos ovos e com o mesmo DNA podem assumir funções tão diferentes dentro de uma colônia.

Os resultados apontam para a atuação do chamado hormônio juvenil, substância responsável por processos ligados ao desenvolvimento, à metamorfose e à reprodução dos insetos. Os pesquisadores descobriram que, quando esse hormônio é absorvido pelas operárias, ele pode ser transferido às larvas por meio da alimentação oferecida por elas.

Operárias influenciam o surgimento de novas rainhas

Segundo os autores, quanto maior a quantidade de hormônio juvenil recebida pelas larvas, maiores são as chances de que elas se desenvolvam como rainhas.

A descoberta representa uma mudança importante na compreensão da organização das colmeias. Tradicionalmente, a estrutura social desses insetos era vista como fortemente centralizada na figura da rainha. No entanto, o estudo sugere um modelo mais distribuído, em que as operárias cuidadoras possuem influência direta sobre o futuro da colônia.

Em comunicado divulgado pela universidade, a professora de entomologia Etya Amsalem, autora correspondente do estudo, destacou que o caso das mamangabas é um exemplo marcante de como indivíduos com o mesmo material genético podem apresentar características completamente diferentes.

Nas colônias, as rainhas costumam ser maiores, vivem por mais tempo e possuem capacidade reprodutiva. Já as operárias são menores e não se reproduzem.

Experimentos com abelhas

Para investigar o fenômeno, os cientistas criaram grupos controlados compostos por três operárias e conjuntos de larvas. O hormônio juvenil foi aplicado em diferentes doses e momentos tanto diretamente nas larvas quanto nas operárias.

Além disso, os pesquisadores utilizaram marcadores químicos e técnicas avançadas de cromatografia para rastrear o caminho percorrido pela substância dentro da colônia. Também foram monitorados fatores como o peso das larvas e o desenvolvimento de cada indivíduo.

Os resultados mostraram que a aplicação direta do hormônio nas larvas não produziu o efeito esperado. Em muitos casos, as próprias operárias eliminaram essas larvas.

Por outro lado, quando as operárias receberam o hormônio, passaram a incorporá-lo ao alimento produzido a partir de néctar e pólen. As larvas alimentadas dessa forma apresentaram maior massa corporal e registraram probabilidade significativamente maior de se tornarem rainhas.

O estudo também permitiu identificar uma janela específica em que as larvas respondem ao hormônio juvenil.

Segundo Seyed Ali Modarres Hasani, pesquisador da Penn State e principal autor da pesquisa, as larvas demonstram sensibilidade à substância apenas durante o sétimo e o oitavo dia de desenvolvimento.

Essa descoberta ajudou os cientistas a compreender melhor os mecanismos que regulam a divisão de castas dentro das colônias.

Os pesquisadores acreditam que o surgimento de novas rainhas pode estar relacionado ao envelhecimento natural das colônias durante as estações mais quentes.

Embora normalmente não se reproduzam, as operárias podem ativar seus ovários à medida que a colônia envelhece. Esse processo aumenta os níveis de hormônio juvenil em seus organismos.

Como são responsáveis por alimentar as larvas, elas passam a transferir quantidades maiores da substância para os indivíduos em desenvolvimento. Quando esse comportamento ocorre simultaneamente entre várias operárias, mais larvas recebem doses suficientes para se tornarem rainhas.

Segundo os autores, os resultados ajudam a compreender melhor como hormônios e interações sociais moldam a organização das colônias de insetos. Além disso, as descobertas podem contribuir para o manejo comercial das mamangabas utilizadas na polinização e ampliar o entendimento sobre a evolução de sociedades complexas entre os insetos.


*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes