Notícias / Arqueologia

Raro tesouro com pulseiras e tornozeleiras da Idade do Bronze é descoberto na Polônia

Tesouro ligado à cultura lusaciana reúne 18 tornozeleiras e pulseiras de bronze, e pode revelar novas rotas comerciais da Antiguidade na Polônia

Tesouro de tornozeleiras e pulseiras de bronze descoberto na Polônia / Crédito: Divulgação/Conservador de Monumentos da Voivodia de Lublin

Arqueólogos no sudeste da Polônia estão analisando um raro tesouro da Idade do Bronze encontrado próximo à vila de Śniatycze, no município de Komarów-Osada. O depósito reúne 18 ornamentos de bronze enterrados juntos em uma pequena cova, a cerca de 30 centímetros de profundidade, e é considerado um dos maiores conjuntos desse tipo já descobertos no leste do país.

A maioria das peças consiste em tornozeleiras e pulseiras pesadas associadas à cultura lusaciana, sociedade que ocupou partes da atual Polônia durante o final da Idade do Bronze e o início da Idade do Ferro. O conjunto pesa aproximadamente 3,6 quilos e se destaca pela raridade de achados semelhantes na região de Zamość, onde descobertas anteriores geralmente envolviam apenas objetos isolados ou pequenos fragmentos.

Os artefatos foram localizados inicialmente por um detectorista licenciado, que atuava com autorização oficial das autoridades de patrimônio e do proprietário do terreno. Após o achado, arqueólogos foram ao local e confirmaram que todas as peças haviam sido depositadas juntas de forma intencional em uma pequena cova.

Segundo os pesquisadores, os objetos sobreviveram em estado de conservação excepcionalmente bom. Após a limpeza inicial e os primeiros trabalhos de preservação, muitas das peças já apresentavam aparência próxima à de itens prontos para exposição em museu.

Grande parte dos ornamentos foi moldada a partir de grossas hastes de bronze curvadas em formato espiral, e vários parecem ter sido produzidos em pares. Algumas peças possuem superfícies lisas e sem decoração, enquanto outras exibem desenhos geométricos detalhados gravados no metal.

Entre os padrões identificados estão sulcos repetidos, marcas diagonais, motivos em losango, chevrons e formas em espinha de peixe. Também foram encontrados pares de tornozeleiras maciças decoradas com padrões canelados feitos por cortes transversais. Alguns exemplares apresentam extremidades sobrepostas moldadas em terminações achatadas semelhantes a pés, descreve comunicado no Facebook do Conservador de Monumentos da Voivodia de Lublin.

Um dos ornamentos chamou atenção por apresentar uma decoração geométrica densa em quase toda a superfície externa, com padrões em losango preenchidos por pequenas linhas horizontais. Outro exibia uma incisão espiral contínua gravada tanto na parte interna quanto externa.

Os arqueólogos também identificaram dois ornamentos circulares pesados com nódulos salientes prensados na parte interna do bronze. Um deles possuía um lado interno côncavo, formando uma distinta seção transversal em formato de C.

Metalurgia lusaciana

A variedade de formas e estilos decorativos indica um alto nível de sofisticação nas técnicas de metalurgia dos estágios finais da cultura lusaciana. Especialistas dataram os objetos no período Hallstatt D, entre aproximadamente 550 e 400 a.C. A análise contou com pesquisadores de Zamość e com o professor Wojciech Blajer, de Cracóvia.

A cultura lusaciana é conhecida por assentamentos fortificados, cemitérios de cremação e avançada produção em bronze. Os objetos desse período circulavam por redes comerciais que conectavam diferentes regiões da Europa Central.

Embora tesouros semelhantes já tenham sido registrados em áreas como Grande Polônia, Pomerânia, Cujávia, Baixa Silésia e Pequena Polônia, descobertas dessa dimensão permanecem incomuns no leste polonês. Por isso, os arqueólogos acreditam que o novo depósito pode ampliar o entendimento sobre padrões de assentamento e sistemas de troca da Lusácia na região de Lublin.

Ainda não se sabe por que os ornamentos foram enterrados. Alguns depósitos da Idade do Bronze são interpretados como riquezas escondidas em períodos de instabilidade, enquanto outros podem ter tido significado ritual ou simbólico. Como as 18 peças foram cuidadosamente colocadas juntas, os pesquisadores defendem que o depósito foi intencional, e não resultado de perda acidental, repercute o Archaeology News.

Os artefatos deverão ser transferidos para o Museu de Zamość, onde passarão por conservação detalhada, testes metalúrgicos e novas análises tipológicas. A expectativa é que esses estudos revelem mais informações sobre as práticas de metalurgia e os contatos comerciais no sudeste da Polônia durante os últimos séculos da Idade do Bronze.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.