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Rara aparição de orcas do Alasca em Seattle intriga a ciência

A rara aparição de orcas do Alasca na região de Seattle intriga a ciência, que investiga se a busca por novas presas motivou a jornada inédita do grupo

Foto ilustrativa de orcas no Estreito de Juan de Fuca, no estado de Washington / Crédito: Getty Image

A recente e inédita aparição de três orcas predadoras na região de Seattle, no Mar de Salish, tem gerado mais perguntas do que respostas. Em março, os cetáceos viajaram mais de 2.400 quilômetros ao sul de seu habitat natural no Alasca.

O evento chamou a atenção da comunidade científica devido à extrema raridade do deslocamento.

Identificação e longa jornada

De acordo com informações da revista Live Science, o grupo de visitantes inesperados é composto por uma mãe e seus dois filhotes, sendo um deles já um macho adulto. Segundo a Associated Press, os pesquisadores conseguiram mapear a trajetória dos animais através de registros fotográficos.

Dessa forma, a identificação ocorreu por meio do reconhecimento de marcas exclusivas nas barbatanas e das colorações laterais típicas de cada indivíduo.

As baleias dessa espécie, de modo geral, possuem o hábito de permanecer em territórios estabelecidos e de caçar nas mesmas regiões ao longo de gerações. Portanto, o surgimento desses animais em águas desconhecidas sinaliza possíveis mudanças drásticas no ecossistema local.

Realmente não temos ideia do que leva uma baleia a viajar para fora de seu território habitual”, afirmou Monika Wieland Shields, diretora do Orca Behavioral Institute.

Mudanças na cadeia alimentar

A área marítima entre o estado de Washington e o Canadá abriga duas subespécies principais: as orcas residentes, que comem peixes e estão ameaçadas, e as orcas de Bigg, caçadoras de mamíferos marinhos.

Nos últimos anos, a escassez de salmão selvagem alterou drasticamente o padrão de migração do primeiro grupo. Em contrapartida, as orcas de Bigg marcam uma presença cada vez maior no local, impulsionadas pelo aumento populacional de suas presas favoritas, como focas e leões-marinhos.

Diante desse cenário, especialistas sugerem que a busca por comida seja o fator decisivo para a viagem do trio ao sul. Heather Hill, psicóloga especializada no comportamento de mamíferos marinhos da Universidade St. Mary’s, concorda com os relatórios que apontam a dieta como motivação primária. Além disso, ela destaca que estudar esses diferentes grupos ajuda a compreender a dinâmica social e a medir a própria saúde da cadeia alimentar marinha.

O futuro da pesquisa local

Apesar das fortes evidências ecológicas e comportamentais, o fenômeno ainda carece de validação genética ou acústica para conclusões definitivas.

Até que estudos mais aprofundados sejam concluídos, a origem exata dessa população e o tempo de permanência desses animais seguem indefinidos. “Sem esse trabalho contínuo de pesquisa, nem sequer saberíamos que esses novos visitantes são incomuns”, concluiu Monika Wieland Shields, reforçando a importância do monitoramento de longo prazo.


*Sob supervisão de Éric Moreira