Quadro de Ana Bolena com seis dedos provavelmente foi erro
Novo estudo sugere que a pintura da rainha consorte de Ana Bolena com um dedo extra na mão é resultado de um equívoco

Uma pintura antiga que mostra Ana Bolena, a rainha consorte do rei inglês Henrique VIII, com seis dedos em uma das mãos vem gerando curiosidade há décadas entre historiadores e entusiastas da realeza, mas uma nova análise publicada por especialistas sugere que essa representação não é um registro de uma característica física real, e sim um erro artístico ou de reprodução.
A obra em questão foi amplamente divulgada em reproduções históricas e usada em teorias populares, mas o estudo detalhado de técnicas de pintura e cópias de retratos indica que o sexto dedo provavelmente foi resultado de uma falha do artista ou de uma cópia posterior mal executada, e não de uma anomalia corporal da própria Anne.
Ana Bolena viveu no século XVI e foi a segunda esposa de Henrique VIII, cujo casamento com ela foi parte central da ruptura da Inglaterra com a Igreja Católica. Sua vida— marcada por ascensão política, influência e eventual execução — sempre foi objeto de grande interesse histórico e cultural, o que levou a inúmeras representações pictóricas ao longo dos séculos. A pintura com o sexto dedo, que circulou em livros e reimpressões, passou a alimentar especulações sobre possíveis deformidades ou “marcas misteriosas” associadas à rainha, apesar da falta de evidências confiáveis em documentos da época.
Mãos de Ana Bolena
Pesquisadores que estudaram a obra afirmam que erros de proporção, pose ou simetria nas mãos nas pinturas renascentistas não são incomuns, especialmente em retratos copiados ou reinterpretados por artistas com menos habilidade técnica. Em muitos casos, detalhes como dedos extras surgiam não por tentativa consciente de alterar a realidade, mas por dificuldade de reproduzir fielmente a posição das mãos e a perspectiva correta no quadro. Ao comparar essa pintura com outros retratos mais antigos e com melhores credenciais, estudiosos encontraram inconsistências estilísticas e anacronismos que reforçam a hipótese de erro de execução.
Uma explicação alternativa é que alguns retratos de figuras nobres da época foram copiados várias vezes ao longo de gerações, com pequenos erros se acumulando a cada reprodução — algo comum antes da invenção de técnicas mais precisas de impressão e cópia. Assim, o sexto dedo pode ter sido introduzido por um artista que não dominava completamente as nuances da figura humana ou que interpretou de forma equivocada partes de uma obra original danificada ou mal preservada.