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Promotores pedem pena de morte para ex-presidente sul-coreano Yoon Suk Yeol

No primeiro julgamento por insurreição em décadas, promotores alegam destruição da ordem constitucional; sentença final deve ser divulgada no próximo mês

Manifestantes pedindo a queda de Yoon em 2024 / Créditos: Getty Images

A justiça da Coreia do Sul atingiu um ponto crítico nesta terça-feira, 13, quando o Ministério Público exigiu formalmente a pena de morte para o ex-presidente Yoon Suk Yeol.

O pedido fundamenta-se na acusação de insurreição, decorrente da tentativa fracassada de impor uma lei marcial no país em dezembro de 2024. De acordo com os promotores, a ação representou uma grave violação da ordem constitucional e colocou em risco a liberdade do povo coreano. Importante destacar que a legislação local prevê punições rigorosas para líderes de insurreições, limitando as opções do tribunal entre a pena capital e a prisão perpétua.

Além disso, a promotoria solicitou a prisão perpétua com trabalhos forçados para o ex-ministro da Defesa, Kim Yong-hyun, apontado como o braço direito de Yoon durante a conspiração. O desfecho desse julgamento histórico está previsto para ocorrer na metade de fevereiro.

Bastidores da conspiração

De acordo com informações do jornal The Guardian, nos bastidores do crime as investigações revelaram que o plano começou a ser traçado muito antes da execução.

Segundo as provas apresentadas, Yoon pretendia monopolizar o poder por meio de estratégias autoritárias, que incluíam desde a tortura de funcionários eleitorais até o corte de recursos básicos para veículos de imprensa da oposição. No entanto, o plano desmoronou quando parlamentares desafiaram os cordões militares e votaram pela derrubada do decreto de emergência.

Além disso, os promotores enfatizaram a postura do ex-presidente durante o processo, alegando que ele não demonstrou qualquer remorso pelos seus atos. Em vez de se desculpar, Yoon continua incitando seus apoiadores e culpando adversários políticos pela crise. Vale lembrar que este é o primeiro caso de acusação por insurreição contra um chefe de Estado desde os julgamentos dos ditadores Chun Doo-hwan e Roh Tae-woo na década de 1990.

Crise jurídica

Por fim, a situação jurídica de Yoon Suk Yeol parece longe de uma solução simples, já que ele responde a outros sete processos criminais que incluem abuso de poder e manipulação eleitoral.

Simultaneamente, sua esposa, Kim Keon Hee, também enfrenta os tribunais por corrupção, com sentença prevista para o final de janeiro. Enquanto isso, Yoon aguarda o primeiro veredicto oficial de um dos casos secundários, marcado para o dia 16 deste mês.


*Sob supervisão de Fabio Previdelli