Projeto de túnel em Stonehenge é descartado pelo governo britânico
Após décadas de protestos e custos de 1,4 bilhão de libras, o projeto rodoviário sob o patrimônio de Stonehenge foi oficialmente cancelado

O controverso plano para a construção de um túnel rodoviário sob o sítio arqueológico de Stonehenge foi oficialmente descartado.
A decisão põe fim a décadas de embates e protestos liderados por ativistas desde a primeira proposta, apresentada em 1994. Desse modo, qualquer tentativa futura de retomar a obra exigirá que todo o processo seja reiniciado do zero.
Custos e histórico
De acordo com informações do jornal The Guardian, o projeto já havia consumido cerca de 179,2 milhões de libras apenas em despesas de planejamento antes de ser paralisado. Inicialmente, as obras receberam sinal verde em 2023, contudo, o governo trabalhista suspendeu a execução em 2024.
Isso ocorreu porque as projeções indicavam que os custos totais atingiriam a impressionante marca de £ 1,4 bilhão.
Por conseguinte, o Departamento de Transportes revogou a ordem de consentimento para o desenvolvimento, citando “circunstâncias excepcionais”. Essa revogação elimina formalmente o impasse burocrático que afetava a região. Consequentemente, o terreno ao redor do monumento do período Neolítico fica livre de intervenções viárias.
Reações e divergências
A resolução agradou aos defensores do patrimônio histórico, que comemoraram a preservação do local milenar. O presidente interino da Stonehenge Alliance, Mike Birkin, declarou que a paisagem possui valor incalculável. Além disso, Birkin classificou a antiga licença como absurda devido ao dano que causaria ao patrimônio da UNESCO.
Por outro lado, a medida gerou insatisfação entre lideranças locais que buscavam soluções para o trânsito. Martin Smith, membro do conselho de Wiltshire, chamou a decisão de um grande golpe para a região. Segundo Smith, não houve debate sobre alternativas viáveis para reduzir o congestionamento nas aldeias vizinhas.
Nova diretriz oficial
Diante do cenário, o Departamento de Transportes esclareceu que a determinação foi conduzida pela secretária Heidi Alexander. A pasta afirmou que o antigo projeto do túnel já não está alinhado com as diretrizes da política britânica atual. Sendo assim, a revogação abre caminho para que novas alternativas surjam.
Por fim, o governo espera que propostas de infraestrutura diferentes possam ser apresentadas, refletindo as necessidades contemporâneas. Enquanto isso, os ativistas cobram que as autoridades redirecionarem a verba bilionária. A principal exigência do grupo é o investimento contínuo nas redes de transporte público locais.
*Sob supervisão de Éric Moreira