Professor é acusado de fraude após inventar prêmio na França
O professor universitário francês Florent Montaclair está sendo acusado de inventar um prêmio semelhante ao Nobel e se premiar; entenda!

O professor universitário francês Florent Montaclair está sendo investigado por fraude após inventar um prêmio semelhante ao Nobel e a universidade filiada à premiação existia apenas online.
Montaclair, que se premiou, chegou a fazer parte de uma cerimônia na Assembleia Nacional Francesa, que contava com a presença de ganhadores do Prêmio Nobel, parlamentares, ex-ministros, acadêmicos e cientistas renomados.
O professor, de 46 anos, foi o primeiro francês a receber a Medalha de Ouro de Filosofia de 2026 de uma sociedade internacional com o mesmo nome. Anteriormente, ele já havia premiado o acadêmico italiano, Umberto Eco.
Embora o evento tenha sido bem executado, a Sociedade Internacional de Filosofia não existe. O endereço da faculdade americana, que supostamente era filiada, era de uma joalheria em Lewes, Delaware.
Segundo os detetives, o prêmio, que já estava sendo comparado ao Prêmio Nobel, foi inventado pelo professor universitário e ele comprou a medalha de um joalheiro em Paris por 250 euros.
Montaclair está sendo investigado por suspeita de falsificação, uso de documentos falsificados, usurpação de identidade e fraude. O acusado nega todas as acusações.
Paul-Édouard Lallois, o procurador público de Montbéliard, afirmou que os detetives levaram meses tentando desvendar o caso. “Foi tudo uma grande farsa. Daria para virar filme ou série de televisão”, afirmou.
No momento, o foco da investigação também é descobrir se o professor usou sua medalha e seu doutorado da Universidade de Filosofia e Educação dos EUA para conseguir aumento salarial.
Em 2015, Montaclair apareceu em seu jornal local através de um artigo informando que ele estava prestes a ganhar um prêmio equivalente ao Nobel ou à Medalha Fields.
Descoberta
Após uma cerimônia na Assembleia Nacional, o professor decidiu que o próximo premiado deveria ser o intelectual americano, Noam Chomsky, de 87 anos, que viajou até Paris para receber seu prêmio.
Sua farsa começou a desmoronar em 2018 quando ele decidiu premiar o acadêmico romeno Eugen Simion, que tinha 85 anos.
Alguns jornalistas romenos da Scena9 ficaram intrigados com a homenagem prestada ao acadêmico, investigaram a premiação e descobriram que a universidade filiada existia apenas na internet por sites criados e hospedados na França.
Os jornalistas publicaram um artigo expondo a falsa com o título “O falso Prêmio Nobel que enganou a Academia Romena”.
Em 2018, Montaclair também solicitou uma promoção ao Ministério da Educação Superior francês, apresentando seu “doutorado de Estado” que foi emitido pela mesma universidade americana. Mesmo que a qualificação não fosse aceita na França, ele foi promovido a professor associado.
Em fevereiro, após descobrirem a suposta fraude, a polícia e o procurador público foram com um mandado de busca até a casa de Montaclair. “Eu disse: ‘Monsieur Montaclair, o senhor sabe por que estamos aqui?’ e ele respondeu imediatamente: ‘Suponho que seja por causa da medalha’”.
O professor admitiu ter encomendado a medalha e ter criado certos sites, mas nega irregularidade. O promotor explica que o cerne da investigação era de que o professor teria se beneficiado com um diploma e medalhas supostamente falsas.
“Qualquer pessoa pode criar uma medalha. Você pode encomendar online a medalha de ‘melhor jornalista da França’, em ouro, prata ou bronze, conceder-lhe uma e realizar sua própria pequena cerimônia discretamente em casa, tomando uns drinks […] Se você ficar em casa com suas medalhões em cima da lareira, não haverá consequências legais”.
Segundo o procurador, Montaclair está se escondendo atrás do argumento de que não se apropriou indevidamente de nada desde que criou o prêmio e negou as comparações com o Nobel e a Medalha Fields.
O The Guardian informou que o professor também recebeu a notificação de que será suspenso em uma investigação separada conduzida por seus empregadores universitários, mas que ele irá recorrer.
O advogado, Jean-Baptiste Euvrard, informou que o caso era um drama da vida real e que seu cliente havia sido um pouco sobrecarregado pelo que criou.
“Dizem que há 10 anos todos caíram num golpe monstruoso, mas todos têm o direito de usar a imaginação; cabe à pessoa com quem você está falando acreditar ou não”, finalizou o advogado de Montaclair.
Caso seja condenado, o professor pode pegar uma pena máxima de cinco anos.
*Sob supervisão de Éric Moreira