Primeira-ministra da Dinamarca renuncia horas após partido vencer eleições
Partido Social-Democrata, liderado por Mette Frederiksen, foi o mais votado nas eleições gerais; resultado, no entanto, representou o pior desempenho da legenda desde 1903

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, anunciou nesta quarta-feira sua renúncia ao cargo, após o partido que lidera vencer as eleições legislativas por uma margem apertada.
De acordo com a agência Reuters, o cenário agora aponta para negociações complexas e potencialmente longas, que definirão quem será responsável por formar o próximo governo.
“Estou pronta para assumir essa responsabilidade” declarou Frederiksen durante seu discurso de vitória no Parlamento, em Copenhague, segundo o portal O Globo.
O Partido Social-Democrata, liderado por Frederiksen, foi o mais votado nas eleições gerais realizadas na terça-feira. Ainda assim, o resultado representou o pior desempenho da legenda desde 1903, já que o bloco de esquerda ao qual pertence não conseguiu alcançar a maioria necessária.
Com 21,9% dos votos, os sociais-democratas seguem como a maior força no Parlamento dinamarquês. No entanto, sua coalizão ficou distante das 90 cadeiras exigidas para formar maioria.
A fonte destaca que os sociais-democratas estão no poder no país desde 2019. Frederiksen disse aos apoiantes, que a aplaudiam, que lamentava “não termos obtido mais votos”.
No fim, especialistas avaliam que, apesar do revés, a premiê ainda é favorita para liderar o próximo governo. “Esse é o paradoxo da eleição: a grande perdedora, Mette Frederiksen, a primeira-ministra, é a favorita para se tornar a próxima primeira-ministra também”, declarou a analista política Noa Redington à agência de notícias Reuters.
Debate eleitoral
Questões internas dominaram o debate eleitoral e, na avaliação de analistas, acabaram relegando a política externa a um segundo plano. Para observadores, temas como imigração, custo de vida e o funcionamento do Estado de bem-estar social pesaram mais na decisão dos eleitores do que a postura firme de Mette Frederiksen diante das ambições de Donald Trump em relação à Groenlândia.
Frederiksen chegou ao poder em 2019 e, desde 2022, comanda uma ampla coalizão que reúne partidos de centro e centro-direita. A aliança inclui os Social-Democratas, o Partido Liberal e os Moderados, mas o desempenho nas urnas ampliou a pressão por ajustes na configuração do governo.