Por ordem de Trump, foto histórica de homem escravizado deve ser removida de exposições nos EUA
Remoção de fotografia está atrelada ao decreto intitulado "Restaurando a Verdade e a Sanidade na História Americana", assinado por Trump em março

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou a retirada de uma das mais significativas representações da escravidão americana de exposições em território nacional. A decisão foi revelada na segunda-feira, 15, por meio de um artigo do jornal The Washington Post e está atrelada ao decreto assinado por Trump em março deste ano, intitulado “Restaurando a Verdade e a Sanidade na História Americana”.
A obra em questão é uma fotografia impactante conhecida como “Peter Chicoteado“, que retrata um homem escravizado com profundas cicatrizes e mutilações nas costas. Esta imagem, datada de 1863, tornou-se especialmente relevante durante a Guerra Civil Americana, quando circulavam numerosas informações e propaganda distorcidas acerca do período escravagista no país.
Segundo o portal Extra, o homem retratado teria escapado de uma plantação na Louisiana e foi posteriormente examinado por médicos que identificaram as severas marcas em suas costas, resultado de açoites repetidos e cruéis.
Embora a reportagem não tenha especificado qual parque seria afetado pela remoção da fotografia, mencionou que diversos locais estariam sob a mira das ordens, que visam “placas e exposições relacionadas à escravidão em vários parques nacionais”.
Um porta-voz do Serviço Nacional de Parques confirmou ao Post que as exposições sob sua responsabilidade estão passando por uma revisão. Ele afirmou: “Materiais interpretativos que enfatizam de forma desproporcional aspectos negativos da história dos EUA ou de figuras históricas, sem reconhecer um contexto mais amplo ou o progresso nacional, podem distorcer a compreensão de forma involuntária, em vez de enriquecê-la.”
Críticas ao Smithsonian
Cerca de um mês antes, Trump havia criticado o Instituto Smithsonian — o maior complexo museológico e de pesquisa dos EUA — por compartilhar imagens relacionadas à escravidão. Ele descreveu as instituições como “fora de controle” e excessivamente “woke”, termo utilizado para se referir a “consciência social” para temas como racismo e desigualdade, mas que também pode ser utilizado de forma pejorativa.
Em um post na rede social Truth Social, ele escreveu: “Os museus em Washington, assim como em todo o país, são essencialmente o último segmento restante do ‘WOKE’. O Smithsonian está FORA DE CONTROLE, onde tudo o que se discute é o quão horrível é o nosso país, quão ruim foi a escravidão e quão pouco realizados foram os oprimidos — nada sobre sucesso, nada sobre brilho, nada sobre o futuro.”