População de baleias francas do Atlântico Norte está em crescimento
Crescimento encorajador na população de baleias francas do Atlântico Norte é um sinal de esperança para a conservação dessas espécies

Recentes estudos indicam que uma das espécies de baleias mais raras do planeta, a baleia franca do Atlântico Norte, apresenta um crescimento populacional encorajador devido a novos esforços de conservação. Cientistas associados ao North Atlantic Right Whale Consortium revelaram que a população atual é estimada em 384 indivíduos, um aumento de oito animais em comparação ao ano anterior.
De acordo com o relatório divulgado nesta última terça-feira, 21, a espécie demonstrou um crescimento gradual nos últimos quatro anos, representando uma recuperação superior a 7% em relação aos números de 2020. Este desenvolvimento é particularmente bem-vindo, considerando o declínio preocupante de aproximadamente 25% da população registrado entre 2010 e 2020, devido a colisões com embarcações e emaranhamentos em equipamentos de pesca.
Philip Hamilton, cientista sênior do Anderson Cabot Center for Ocean Life, vinculado ao New England Aquarium, destaca que o aumento modesto anual é crucial para a recuperação da espécie. “Se conseguirmos sustentar esse crescimento, veremos uma melhoria contínua na população”, afirmou Hamilton. Ele também mencionou que as novas medidas de gestão no Canadá têm sido fundamentais para proteger as baleias no Golfo de São Lourenço.
Ainda assim, especialistas alertam que as baleias continuam enfrentando diversas ameaças e requerem ações mais robustas de conservação. O fato de que as fêmeas costumam ter dificuldades reprodutivas quando feridas ou desnutridas se mantém como um desafio significativo para a sustentabilidade da população.
No entanto, Hamilton observa sinais positivos: neste ano, quatro fêmeas deram à luz pela primeira vez, enquanto outras já estabelecidas apresentaram intervalos menores entre os partos. No total, foram registrados 11 filhotes nascidos – embora abaixo das expectativas dos pesquisadores, o ingresso de novas fêmeas no pool reprodutivo é considerado promissor.
Otimismo e Proteção
Heather Pettis, responsável pelo programa de pesquisa sobre as baleias francas no Cabot Center e presidente do consortium, expressou otimismo cauteloso: “O leve aumento na estimativa populacional, combinado com a ausência de mortalidades detectadas e menos lesões do que nos últimos anos, nos deixa esperançados quanto ao futuro das baleias francas do Atlântico Norte. A história mostra que essa população pode mudar rapidamente”.
Segundo o ‘The Guardian’, as baleias francas foram quase extintas durante a era da caça comercial e estão sob proteção federal há várias décadas. Anualmente, elas migram das áreas de reprodução na Flórida e na Geórgia para os locais de alimentação na Nova Inglaterra e no Canadá. Contudo, alguns especialistas alertam que o aquecimento global torna essa jornada mais arriscada, obrigando os animais a se afastarem das áreas protegidas em busca de alimento.
Grupos ambientais reiteraram que as baleias ainda estão à beira da extinção e necessitam de proteções mais agressivas para garantir sua recuperação completa. Gib Brogan, diretor sênior de campanhas da Oceana, advertiu sobre os riscos: “Os ataques contínuos à Marine Mammal Protection Act e tentativas de enfraquecer as proteções baseadas em ciência da NOAA colocam essa população frágil em risco ainda maior. Precisamos que o Congresso defenda as leis e programas que oferecem às baleias francas uma chance real de sobrevivência”.