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Ponto mais gelado da Terra viveu em 2026 o janeiro mais quente da história

Lugar mais frio do planeta Terra viveu um janeiro atípico ao registrar as temperaturas mais elevadas desde o início das medições meteorológicas

Oymyakon em fotografia de 1966 - Crédito: Getty Images

A vila siberiana de Oymyakon, conhecida mundialmente como o lugar mais frio do planeta, viveu um janeiro atípico ao registrar as temperaturas mais elevadas desde o início das medições meteorológicas. De acordo com o portal russo Meteonovosti, a média térmica do mês ficou quase 20 °C acima do padrão histórico local, um desvio extremo para uma região famosa por seus invernos implacáveis.

Na última quarta-feira, 28, os termômetros indicaram cerca de -21 °C, valor muito acima do habitual para o período, quando as médias costumam girar em torno de -47 °C ou até menos. O registro reforça a anomalia climática observada no extremo leste da Rússia, área tradicionalmente associada a frio intenso.

Segundo o portal GLOBO, enquanto Oymyakon enfrentava temperaturas surpreendentemente altas para o inverno, a região de Moscou vivia o cenário oposto. Em Klin, cidade próxima à capital, os termômetros marcaram –30 °C e Moscou amanheceu sob uma forte onda de frio, com registros de -21 °C neste sábado. Medições eletrônicas indicaram sensação térmica próxima de -29 °C.

Meteorologistas recordam que, em 1956, Moscou registrou temperaturas de até -35 °C nessa mesma época do ano. Desde então, os invernos passaram por um processo de suavização gradual, com exceção de episódios isolados, como em 1978. Já no século 21, o inverno mais rigoroso ocorreu em 2005, quando as mínimas oscilaram entre -25 °C e -30 °C.

Segundo Mikhail Lokoshchenko, diretor do observatório meteorológico da universidade e pesquisador sênior da Faculdade de Geografia, o atual episódio de frio intenso está ligado à passagem de ciclones profundos e de grande extensão pela região de Moscou. Esses sistemas vieram acompanhados de frentes atmosféricas bem definidas, responsáveis por intensificar tanto o frio quanto a instabilidade.

Nevascas intensas

De acordo com o portal de notícias, a onda de baixas temperaturas veio após dias de nevascas intensas, que acumularam mais de 60 centímetros de neve em diferentes pontos da capital russa, impactando diretamente a rotina de cerca de 13 milhões de habitantes. O sistema de transporte foi afetado, com atrasos nos trens suburbanos, congestionamentos prolongados e dificuldades de deslocamento pela cidade.

Outras regiões do país também enfrentaram condições extremas. No início de janeiro, a península de Kamchatka, no extremo leste da Rússia, decretou estado de emergência após uma forte tempestade de neve que paralisou parcialmente sua principal cidade. Em Moscou, especialistas indicam que as nevascas devem perder intensidade gradualmente, mas alertam que as temperaturas negativas devem persistir nos próximos dias, mantendo a espessa camada de neve acumulada.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.