Pesquisa relaciona diversidade genética mundial e estrutura de linguagem
Novo estudo tenta entender as diversidades linguísticas do globo através da conexão de variadas origens genéticas. Entenda:

Recentemente, a Universidade de Zurique liderou um estudo de esforço mundial que objetiva entender as ligações entre a diversidade genética humana e a estrutura da linguagem em diferentes regiões do mundo.
Publicado no primeiro dia de maio, o estudo combinou conjuntos de dados da genética populacional de todo mundo com dados linguísticos. Dessa forma o estudo possibilita compreender a importância da genética na formação das línguas.
No entanto, a pesquisa lançada na revista Anais da Academia Nacional de Ciências (Proceedings of the National Academy of Sciences), chegou a resultados surpreendentes para os pesquisadores. Conforme o estudo, os dois dados analisados apresentam proporções opostas. Entenda:
O padrão global
Segundo os pesquisadores, há um padrão consistente em todas as regiões. As regiões com alta diversidade biológica apresentam línguas com padrões estruturais mais semelhantes. Enquanto que locais com baixa diversidade genética apresentam línguas com maior variação estrutural.
No mesmo sentido, segundo a Archaeology News, a diversidade genética foi medida por meio dos níveis de ancestralidade compartilhada entre os indivíduos de uma sociedade. Ao mesmo tempo que a língua dos indivíduos era entendida através de suas semelhanças estruturais.
Ou seja, a ordem em que partes de qualquer oração (como o sujeito, verbo e objeto) apareciam na frase. Porém, nos conjuntos de dados linguísticos também foram aplicados os cálculos de entropia.
Explicação das informações
Acontece que para compreender os dados é necessário compreender a história populacional de cada região e compreender o quanto a linguagem e a genética se inter relacionam.
Desse modo, na América, que as maiores conexões de diferentes origens genéticas só ocorreram após a colonização, a homogeneização linguística é quase total. No entanto, mesmo em regiões não colonizadas como a Europa, em que houve extenso contato de diversas populações, há uma aproximação surpreendente nas estruturas linguísticas.
Conforme os pesquisadores, isso se dá devido a necessidade da população de aproximar a língua para se comunicar entre os pares. No entanto, regiões com isolamento de longo prazo apresentam menor menor mistura genética e maior divergência nos sistemas gramaticais.
Por exemplo, regiões como a Nova Guiné e as regiões do Himalaia apresentam baixa diversidade genética, combinada com alta variação na estrutura linguística. Conforme o estudo, essa variação maior se dá devido a uma certa “especialização” da língua para as necessidades específicas do povo falante.
De todo modo, apesar de muitas pseudo-ciências afirmarem o contrário, o estudo demonstrou como as origens genéticas não são necessariamente decisivas na formulação e construção de uma língua.
*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes