Análise genética cria dúvida na formação dos tubarões
Recente estudo de decodificação genética indicou que o grupo dos tubarões seria mais complexo do que imaginado

Recentemente, pesquisadores da Universidade de Yale publicaram na revista Nature um estudo sobre a árvore genética dos tubarões. No entanto, através da análise genética, foi possível perceber que parte dos até então considerados tubarões têm mais semelhanças com as arraias.
Dessa forma, o estudo aponta para o desagrupamento da ordem Hexanchiformes da família dos tubarões, ou a anexação das Batoidea, no grupo mais amplo. Assim, a família desses predadores oceânicos pode ser mais instável do que se imagina.
O mapeamento
Os peixes cartilaginosos incluem mais de 1.200 espécies vivas e datam de mais de 439 milhões de anos. A grande idade do grupo, dificulta aos cientistas relacionarem as famílias através somente das semelhanças físicas de cada espécie.
Porém, para sanar essa lacuna científica, Thomas Near e Chase Brownstein examinaram todas as linhas genômicas de 48 espécies dos tubarões, selecionando aquelas mais representativas das linhagens cartilaginosas.
Dois tipos de informação genética foram mapeadas, as sequências de código proteico, que tendem a ser compartilhadas entre todas as espécies de um grupo, e os elementos ultra conservativos do genes, parte genética que pouco modificou com a evolução.
Desse modo, nas fichas de código proteico foi encontrado um antepassado comum entre tubarões que inclui as arraias. Entretanto, nos elementos ultra conservativos, o grupo dos Hexanchiformes apareceu como uma linhagem irmã de todos os outros tubarões e arraias.
Os Hexanchiformes
Assim, espécies como o tubarão-cobra e a os tubarões-vaca, que já são conhecidas por serem levemente diferentes, podem ser desconsiderados da família dos tubarões.
Contudo, apesar da proposta de repensar como classificar os predadores oceânicos ser interessante, acadêmicos apontam para mapeamento genético como não sendo a única solução para o caso.
Conforme a Revista Smithsonian, o biólogo evolucionista do Museu de História Natural da Flórida, que não está envolvido com a pesquisa, Gavin Naylorum, concluiu:
As pessoas reverenciam a informação da sequência mais do que deveriam”
*Sob supervisão de Felipe Sales Gomes