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Peru anuncia descoberta de observatório mais antigo das Américas em Chankillo

Nova estrutura identificada em Chankillo, na região peruana de Ancash, pode anteceder o Observatório Solar e mudar o entendimento sobre as origens da astronomia andina

Escavações em Chankillo revelam novas estruturas ligadas à arquitetura astronômica pré-hispânica / Créditos: Ministério da Cultura do Peru

Arqueólogos descobriram o observatório mais antigo das Américas, no Peru. A nova estrutura parece ser anterior ao Observatório Solar de Chankillo, até então considerado o mais antigo do continente.

Logo após o achado, o Ministério da Cultura do Peru informou que a descoberta pode reescrever a cronologia sobre o início da astronomia nos Andes. Além disso, segundo os arqueólogos que conduzem as escavações, o edifício mostra uma orientação solar clara. Esse detalhe indica que a construção foi planejada para acompanhar eventos celestes, e não surgiu de forma aleatória.

Região do Casma é importante

A nova estrutura foi identificada na paisagem desértica do vale do rio Casma, na região peruana de Ancash. Essa área é conhecida por tradições cerimoniais e arquitetônicas muito antigas ligadas à cultura Casma-Sechín. 

Além disso, segundo os arqueólogos, o edifício apresenta uma orientação solar evidente, o que indica que foi planejado para acompanhar eventos celestes. Pela análise dos materiais de construção, da estratigrafia e das características arquitetônicas, a equipe acredita que a estrutura seja bem mais antiga que o observatório datado de cerca de 250 a.C., hoje reconhecido como Patrimônio Mundial da UNESCO.

Início da astronomia andina

A datação por radiocarbono continua em andamento. Mesmo assim, as evidências apontam que o interesse sistemático pelos fenômenos celestes nessa região é muito mais antigo do que se imaginava. Segundo os pesquisadores, essa característica pode fazer da estrutura um dos primeiros exemplos conhecidos de arquitetura destinada à observação solar nas Américas.

Informações repercutidas pela revista Archaeology News indicam que o achado também amplia em vários séculos as raízes das tradições andinas voltadas ao estudo do céu, revelando uma prática astronômica mais antiga e complexa do que os registros sugeriam até agora.

Sistema astronômico complexo

As escavações também revelaram um corredor alinhado ao ciclo lunar, o que acrescenta uma camada importante à interpretação do sítio. Essa orientação mostra que os antigos habitantes de Chankillo acompanhavam não só o percurso anual do sol no horizonte, mas também os ritmos mais complexos da lua. 

Dessa forma, o conjunto indica um sistema de observação do céu mais sofisticado do que o registrado até agora, sugerindo práticas astronômicas variadas e bem estruturadas.

Ligação entre astronomia, rituais e poder político

Além desse aspecto, a equipe também encontrou um grande vaso cerimonial no estilo Patazca. O objeto tem cerca de um metro de altura e traz figuras de guerreiros em movimento. Ele estava em uma área de acesso restrito perto do observatório, o que reforça a ideia de que grupos de elite combinavam autoridade ritual, liderança militar e conhecimento astronômico.

Vaso cerimonial no estilo Patazca, com cerca de um metro de altura, decorado com figuras de guerreiros em posição de combate / Créditos: Ministério da Cultura do Peru

Com isso, os arqueólogos afirmam que a observação do céu em Chankillo fazia parte de um contexto político e cerimonial mais amplo. Em comunicado, o Ministério da Cultura do Peru destacou que as descobertas fortalecem a posição de Casma como um dos centros antigos mais importantes para o desenvolvimento da astronomia.

Por fim, os trabalhos no sítio continuam. O objetivo é preparar as Treze Torres, o observatório e as estruturas próximas para futuras visitas. A equipe segue focada na restauração e na conservação das áreas recém identificadas.