Parlamento pressiona governo britânico por documentos do ex-príncipe Andrew
Governo britânico enfrenta pressão no Parlamento para divulgar documentos sobre Andrew e sua atuação como enviado comercial do Reino Unido

Nesta terça-feira, 24, o governo britânico foi pressionado a divulgar documentos sobre o passado do ex-príncipe Andrew da época em que atuava como enviado comercial do Reino Unido. O pedido foi feito poucas horas após um político ter sido interrogado pela polícia no âmbito do crescente escândalo envolvendo Jeffrey Epstein.
Pressão por transparência
O caso vem tendo grande repercussão após, no final de janeiro, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgar milhões de arquivos relacionados à rede de crimes sexuais de Epstein. Entre os documentos, estariam incluídas possíveis informações que teriam abalado círculos políticos e da realeza britânica.
A pressão sobre o governo britânico se intensificou, levando à abertura de duas investigações policiais distintas e de grande repercussão. O escândalo aumentou após Andrew ser preso na semana passada sob suspeita de má conduta em cargo público.
Investigações
De acordo com informações do jornal O Globo, Andrew Mountbatten-Windsor ocupou o cargo de enviado comercial do Reino Unido entre 2001 e 2011. A suspeita é de que ele tenha usado sua influência e o cargo público para compartilhar informações confidenciais com Epstein durante o período em que representava o país.
Ainda nesta terça-feira, os Liberais Democratas vão apresentar uma moção no Parlamento para obrigar o governo a divulgar os documentos de verificação da nomeação do ex-príncipe. O instrumento parlamentar, conhecido como “discurso humilde”, já foi utilizado neste mês para exigir a divulgação de documentos relacionados a outra nomeação controversa.
Moção no Parlamento
Além disso, a expectativa é de que o governo divulgue em março o primeiro conjunto de documentos referentes à nomeação do ex-ministro Peter Mandelson como embaixador do Reino Unido em Washington. Mandelson, que foi uma figura-chave na política britânica durante décadas, foi preso na segunda-feira, 23, em uma investigação separada por má conduta em cargo público, também relacionada às suas ligações com Epstein.
A nomeação de Mandelson já havia desencadeado uma tempestade política, inclusive com a renúncia de dois assessores do primeiro-ministro Keir Starmer em meio à polêmica. Então, com a divulgação de documentos relacionados tanto ao ex-príncipe quanto ao ex-ministro, pode representar mais uma crise para o governo e para o Partido Trabalhista, que supervisionou ambas as nomeações.
Andrew, irmão mais novo do rei Charles III, teve seus títulos retirados no ano passado e nega qualquer irregularidade em relação a Epstein.
Parlamentares ainda afirmam que o público tem o direito de saber como ele foi nomeado para representar o Reino Unido em um cargo comercial de alto nível, defendendo que ninguém esteja acima do escrutínio do Parlamento, independentemente de título ou posição.