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O enigmático Disco de Sabu: Arte e mistério de 5 mil anos

Peça única encontrada em Saqqara, no Egito, alimenta teorias arqueológicas e imaginativas, mas função original segue incerta

Este objeto de pedra foi descoberto na tumba de Sabu, na necrópole de Saqqara, no Egito - Reprodução/Facebook/Jaguar Paw

Em 1936, durante escavações na necrópole de Saqqara, no Egito, um egiptólogo britânico chamado Walter Emery descobriu um artefato que, quase um século depois, ainda intriga especialistas e curiosos: o chamado Disco de Sabu.

A peça, feita de metassiltito, foi encontrada em fragmentos no túmulo do oficial egípcio Sabu, que viveu na Primeira Dinastia do Egito Antigo, por volta de 3.000 a.C. Reconstruído, o objeto hoje integra o acervo do Museu Egípcio do Cairo.

A tumba — uma mastaba retangular com paredes inclinadas e teto plano — já havia sido saqueada de metais preciosos, mas ainda guardava o esqueleto intacto de Sabu em um caixão de madeira, além de dezenas de vasos, ferramentas de sílex e cobre, restos mortais de dois bois e a tigela trilobada que se tornaria famosa. Medindo 61 centímetros de diâmetro e 10 de altura, o disco apresenta três asas curvas e finamente talhadas, formando um desenho que lembra um volante, uma hélice ou uma calota moderna.

Mistério

Seu formato incomum inspirou hipóteses variadas, desde mecanismos hidráulicos até fragmentos de tecnologia alienígena, passando por um suposto uso na produção de cerveja. No entanto, arqueólogos como Ali El-Khouli consideram mais provável que fosse um recipiente cerimonial para armazenar comida ou óleo, colocado na tumba como oferenda para a vida após a morte.

Segundo o ‘Live Science’, entre o fascínio da ciência e o imaginário popular, o Disco de Sabu permanece como um elo misterioso entre o engenho artesanal do Egito Antigo e a eterna curiosidade humana diante do passado.

Embora o mistério em torno de sua real função continue sem solução definitiva, o Disco de Sabu serve como um lembrete de que, mesmo em um período tão remoto, os artesãos egípcios dominavam técnicas de escultura e design de impressionante complexidade. A precisão das curvas e a delicadeza do material revelam não apenas habilidade técnica, mas também um senso estético refinado, reforçando a ideia de que, para além de seu possível uso prático, a peça carregava um forte valor simbólico e ritualístico.


*Sob supervisão de Fabio Previdelli