Nova espécie de ‘verme-pênis’ é descoberta no Grand-Canyon
Além do verme-pênis, foram encontrados moluscos e crustáceos que mostram semelhanças com espécies contemporâneas

Paleontólogos de instituições dos Estados Unidos e do Reino Unido podem ter encontrado um antigo berço da evolução nas formações rochosas do Grand Canyon. Os pesquisadores descobriram um conjunto de fósseis extraordinariamente bem preservados nos xistos da Formação Bright Angel, datando de aproximadamente meio bilhão de anos, durante o Período Cambriano.
A formação, que hoje se eleva sobre o Rio Colorado em diversas partes do cânion, abriga uma fauna fossilizada que inclui uma espécie recém-identificada de verme-pênis, nomeada Kraytdraco spectatus, além de moluscos e crustáceos que mostram semelhanças com espécies contemporâneas. Os resultados do estudo foram publicados na revista Science Advances no dia 23 de julho.
Os cientistas envolvidos na pesquisa acreditam que os fósseis encontrados evidenciam um ecossistema vibrante onde os organismos desenvolveram características complexas ao longo do tempo. Giovanni Mussini, coautor do estudo e pesquisador da Universidade de Cambridge, destaca que a região do Grand Canyon provavelmente representou um ambiente propício para inovações evolutivas durante o Cambriano.
De acordo com o portal Galileu, a Explosão Cambriana, um evento caracterizado pelo surgimento da maioria dos grupos animais modernos, ocorreu nesse período e as evidências fósseis globais indicam que muitos desses organismos prosperaram em ambientes costeiros com baixo teor de oxigênio, favorecendo a preservação dos restos.
Mussini observa que sítios como o famoso Folhelho Burgess, no Canadá, podem não refletir a diversidade completa da vida em ecossistemas cambrianos mais hospitaleiros. Ele explica que há meio bilhão de anos, vastas áreas do oeste norte-americano eram cobertas por mares rasos.
As características dos sedimentos encontrados na Formação Bright Angel sugerem que ela se formou em uma plataforma continental antiga a profundidades favoráveis à penetração da luz solar, promovendo condições ideais para a fotossíntese e a reciclagem de material orgânico.
Em 2023, a equipe passou várias semanas navegando pelo Grand Canyon em busca de amostras de xisto. A coleta foi desafiadora, dado o tamanho dos fósseis carbonáceos que buscavam. Após reunir dezenas de amostras, os pesquisadores analisaram-nas em laboratório para identificar os organismos fossilizados.
Espécimes encontrados
Os resultados foram impressionantes: mais de 1.500 espécimes foram recuperados, incluindo crustáceos adaptados à captura de alimento na coluna d’água e o já mencionado verme-pênis. Embora vermes desse tipo já fossem conhecidos do registro fóssil, as características encontradas na nova espécie revelam adaptações dentais mais complexas quando comparadas aos equivalentes do Folhelho Burgess.
De acordo com o The Conversation, esses vermes anelídeos não segmentados possuem um tronco muscular e uma probóscide extensível. Eles são encontrados em habitats marinhos variados e podem atingir comprimentos superiores a dois metros.
Mussini conclui que as adaptações sofisticadas observadas nos fósseis da biota da Formação Bright Angel indicam um ambiente rico o suficiente para suportar espécies competidoras com características complexas. Ele também ressalta a importância de continuar as investigações nesta área para descobrir fósseis ainda mais antigos que possam esclarecer a origem das inovações evolutivas discutidas.