Necrópole da Antiguidade Tardia com 60 túmulos é descoberta na França
Escavação preventiva revelou vestígios da Antiguidade à Idade Moderna nos jardins de casa fortificada em Bourget-du-Lac, na França; confira!

Escavações recentes no Vale do Bourget, localizado nas proximidades dos montes do Chat e na borda da planície aluvial da Leysse, trouxeram à tona evidências de ocupações humanas que datam desde a Antiguidade, na França. As investigações foram realizadas em uma área situada a 400 metros da atual margem do Lago do Bourget e na periferia norte do que se acredita ter sido o antigo assentamento de Bourget-du-Lac.
Durante as escavações, não foram encontrados vestígios anteriores à Antiguidade, exceto por uma lâmina de sílex em posição residual. A análise dos restos arqueológicos revelou a presença de um edifício de estrutura de madeira, com planta quadrada de aproximadamente 25 m², datado entre o final do século 1 a.C. e o início do século 1 d.C. Este edifício foi posteriormente substituído durante o Alto Império por uma construção maior, com fundações preservadas, que abrigava um espaço de 191 m². A função exata deste novo edifício permanece indefinida devido à deterioração dos solos circundantes.
Além das estruturas habitacionais, também foram identificados vestígios relacionados a atividades artesanais, evidenciados por fogueiras descobertas nas proximidades do edifício principal, datadas entre o Alto Império e a Antiguidade tardia. O sítio arqueológico também revelou um forno bem preservado utilizado para a produção de cal, cuja datação via radiocarbono indica uso nos séculos 3 e 4.

A gestão das águas na região é claramente demonstrada pela instalação de drenos e camadas sucessivas de aterro encontrados na parte oriental da escavação. Esses elementos são acompanhados por fragmentos cerâmicos e moedas que ajudam a datar a ocupação entre o final do Alto Império e a Antiguidade tardia. Além disso, objetos relacionados à pesca confirmam que o ambiente aquático já era explorado pelos habitantes daquela época.
Camadas de história
Um aspecto interessante encontrado foi um cemitério caracterizado pela dispersão de sepulturas secundárias datadas entre os séculos 1 e 3 d.C. Esse padrão é típico de necrópoles rurais, onde as tumbas estão frequentemente localizadas a certa distância das áreas habitacionais.
No que se refere ao período da Antiguidade tardia, entre os séculos 4 e 6, uma nova área funerária foi identificada no terreno elevado ao sudoeste da escavação. Esse espaço abrigava cerca de sessenta sepulturas primárias, com inumação de corpos. Os dados obtidos através da datação por radiocarbono indicam uma ocupação contínua durante este período, com uma possível extensão do espaço funerário até os séculos 7 e 8.
A disposição das sepulturas revela uma organização em filas, com maior densidade próxima à construção da casa fortificada local. Os corpos eram frequentemente protegidos por estruturas feitas de telhas ou outros materiais disponíveis. Alguns dos indivíduos enterrados estavam acompanhados por adornos pessoais e utensílios cerâmicos que provavelmente foram produzidos localmente.
No entanto, os vestígios das eras medieval e moderna são mais escassos neste local. Do período medieval restaram apenas alguns muros em ruínas e uma sepultura isolada datada entre os séculos 8 e 9. Já na era moderna, foram encontrados mais vestígios, especialmente em torno da casa fortificada que passou por várias reformas desde sua construção inicial no século 14.

Os achados incluem pavimentos de pedras (calçada) do século 17 e blocos esculpidos que podem ter pertencido a um portal. No início do século 20, foram realizados trabalhos significativos de readequação do espaço, incluindo a construção de um grande patamar com escadas, conforme descrito em comunicado do Inrap.
Além disso, vários sistemas de drenagem foram documentados nas áreas adjacentes à casa fortificada e no extremo nordeste da escavação, assim como zonas de descarte que indicam atividades cotidianas no local ao longo dos séculos.