Museu exibe achados de 750 anos do naufrágio mais antigo da Inglaterra
Lápides, caldeirões e utensílios de um navio do século 13 recuperados na costa sul da Inglaterra ajudam a reconstituir o comércio medieval e estão em exibição no Museu de Poole

Artefatos de 750 anos recuperados do naufrágio mais antigo da Inglaterra passaram a ser exibidos ao público. Em cartaz no Museu de Poole, no sul da Inglaterra, os objetos integram o acervo do museu marítimo, reaberto no mês passado após uma reforma.
O naufrágio, conhecido como Mortar Wreck, data do século 13. Os restos do navio foram encontrados em 2020 por um mergulhador e capitão local. Desde então, o sítio passou a chamar a atenção das autoridades e, em 2022, recebeu o mais alto nível de proteção governamental, tornando-se o naufrágio protegido mais antigo da Inglaterra com um casco visível ainda existente.
Achados em exibição
Em exibição no museu marítimo, os visitantes podem se deparar com lápides de calcário, caldeirões e utensílios de pedra, que faziam parte da carga transportada pelo navio quando ele afundou. Ao lado dessa mostra, outros vestígios do passado marítimo da região também são apresentados, como um barco de madeira da Idade do Ferro, descoberto em Poole em 1964, além de objetos recuperados de naufrágios medievais na Baía de Studland e no Canal de Swash.
Segundo informações repercutidas pela revista Smithsonian, desde a descoberta, arqueólogos marítimos da Universidade de Bournemouth vêm investigando o local e recuperaram diversos itens, incluindo um caldeirão usado para cozinhar alimentos e duas lápides em condições consideradas notavelmente boas.
Lápides medievais
As lajes, feitas de pedra de Purbeck, apresentam cruzes esculpidas típicas do século 13 e indicam que a carga provavelmente se destinava a membros de alto status do clero, reforçando a importância do material no comércio e na cultura funerária medieval.
Segundo os pesquisadores, a pedra de Purbeck foi amplamente utilizada na Idade Média por permitir acabamento polido semelhante ao mármore, sendo comum em lápides, monumentos funerários e edifícios religiosos em diversas regiões da Europa.
Um navio do século 13
Por volta de 1250 d.C., o navio partiu para um destino desconhecido transportando lápides de calcário e outros objetos de pedra. A embarcação foi construída no estilo clinker, com tábuas de madeira sobrepostas, técnica comum na navegação medieval. Análises dos anéis de crescimento da madeira indicam que o casco foi feito com carvalho irlandês, cortado entre 1242 e 1265, material amplamente utilizado e comercializado no período.
A causa do naufrágio ainda é desconhecida. No entanto, pesquisadores levantam a hipótese de que a carga pesada de pedra possa ter contribuído para o afundamento, especialmente em condições de tempo adverso. O navio afundou próximo à costa, em uma área que, apesar de relativamente próxima da margem, poderia se tornar fatal durante uma tempestade.
Segundo os arqueólogos, o baixo nível de oxigênio da água, aliado à presença de areia e pedras no local, ajudou a preservar os restos do navio por séculos. Para os pesquisadores, o naufrágio oferece uma janela rara sobre o comércio marítimo medieval inglês, além de lançar luz sobre o uso e a circulação do chamado mármore de Purbeck, material amplamente empregado em construções e lápides na Europa do século 13.