Mural pintado por da Vinci ficará em exposição durante Jogos Olímpicos de Inverno
Decorando o teto e as paredes da Sala delle Asse, no Castelo Sforzesco, mural pintado por Leonardo da Vinci ficará em exposição brevemente durante os Jogos Olímpicos de Inverno em Milão

Em um evento extraordinário, as autoridades italianas anunciaram que, entre os dias 7 de fevereiro e 14 de março, o mural pintado por Leonardo da Vinci e sua oficina na Sala delle Asse do Castelo Sforzesco, em Milão, estará acessível ao público. Este acesso é uma oportunidade única, já que a obra, datada do final do século 15, normalmente não está aberta à visitação.
Localizada no renomado castelo, que serviu como residência da elite antes de ser transformado em um campus museológico, a pintura abrange o teto e as paredes da sala. Durante esse período especial, os visitantes terão a chance de subir em um andaime de seis metros para observar esta obra-prima “a poucos centímetros de distância”, como destacado em um comunicado da prefeitura de Milão.
Cada visitante terá direito a 30 minutos dentro do espaço, e será obrigatório o uso de capacetes de segurança, conforme repercute a Smithsonian Magazine.
Tommaso Sacchi, conselheiro de cultura da cidade, afirmou no comunicado: “a Câmara Municipal de Milão reafirma seu compromisso em promover uma compreensão cada vez mais profunda e acessível do patrimônio cultural da cidade, para benefício dos milaneses e dos muitos visitantes que virão à cidade para os Jogos Olímpicos de Inverno.”
Histórico e conservação
Leonardo iniciou a elaboração do mural em 1498, retratando uma rica tapeçaria de vinhas entrelaçadas, ramos e rochas. Infelizmente, o projeto foi interrompido após apenas um ano devido à invasão francesa que resultou na fuga do artista de Milão.
Com o passar dos séculos, a obra foi gradualmente esquecida, sendo coberta por gesso pelos franceses. Somente no final do século 19 e início do 20 ela foi redescoberta por historiadores e arqueólogos que começaram a remover as camadas de gesso. “Como resultado, os estudiosos de Leonardo deixaram de reconhecê-los como um Leonardo autêntico, passando a considerá-los repintados, uma espécie de falsificação, para usar um termo popular”, explicou o curador do patrimônio do Castelo Sforzesco, Luca Tosi, à Associated Press.

A partir de fevereiro, os visitantes poderão observar conservadores trabalhando com papel de arroz japonês e água desmineralizada para remover sais acumulados ao longo dos anos nas paredes e no teto. Este método visa preservar a integridade da pintura original enquanto realiza uma limpeza cuidadosa.
Além da Sala delle Asse, o Castelo Sforzesco também abrirá suas portas para duas novas exposições relacionadas a da Vinci. Uma instalação multimídia nas Salas Panorâmicas contará a história do papel do artista na corte dos Sforza.
Na Pinacoteca del Castello Sforzesco, a sala 21 apresentará uma nova exposição sobre os “Leonardeschi”, artistas influenciados pela oficina de Leonardo. Entre as obras expostas estão retratos de Bernardino Luini e Andrea Solario. Além disso, esculturas, medalhas e pinturas previamente guardadas também estarão disponíveis para apreciação.
No entanto, após este período especial, o mural será fechado novamente ao público por 18 meses para completar sua restauração final. Segundo Luca Tosi, “a parte mais difícil é que a pintura de Leonardo é muito delicada, há algumas áreas onde a tinta se levanta, há partes mais frágeis e, portanto, o trabalho deve ser feito centímetro por centímetro, com a máxima atenção e cuidado.”