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‘Múmia’ de réptil dá respostas da evolução fora d’água

Fósseis incrivelmente preservados de réptil pré-histórico dão indícios da formação dos pulmões ao longo da evolução fora da água

Representação do Réptil ancestral morto
Representação do Réptil ancestral morto - Créditos: Reprodução/Dr. Michael DeBraga

Recentes escavações em Oklahoma, nos Estados Unidos, evidenciaram fósseis de um réptil ancestral. Segundo os cientistas, foi possível recriar sua composição e entender a evolução do pulmão dessas criaturas.

Ainda, O Captorhinus, pequeno lagarto viveu entre 289 e 286 milhões de anos, pode ajudar a entender como os animais amniotas, que nascem cercados de líquido amniótico, abandonaram os mares e dominaram a terra.

A escavação

Conforme o artigo publicado, neste dia 8, na revista Nature, os fósseis, devido às condições naturais do ambiente, estão impressionantemente conservados, com maior destaque para a região torácica do animal.

A infiltração de petróleo, lama desoxigenada e água subterrânea no cadáver possibilitou que parte das ossadas fosse encontrada na posição em que estava o animal falecido. Ou seja, um quebra-cabeça 3D praticamente resolvido.

Assim, nessas condições, em que a equipe encontrou o fóssil no sistema de cavernas próximas ao sítio fossilífero de Richards Spur, se torna possível compreender como era a caixa torácica desse animal.

As projeções

Dessa forma, diante da sensibilidade desse fóssil, foi necessária a realização de tomografias computadorizadas. A fim de explicação, foram lançados feixes de nêutrons para reconstruir as estruturas internas do animal.

Em um comunicado à Phys, Ethan Mooney, um dos autores do estudo, explicou:

Comecei a ver todas essas estruturas envolvendo os ossos e elas eram muito finas e texturizadas. E eis que havia uma bela camada de pele envolvendo o torso desse animal. A pele escamosa tem uma textura maravilhosa, semelhante a um acordeão, com faixas concêntricas cobrindo grande parte do corpo, do torso até o pescoço”

Conforme a Galileu, a descoberta do funcionamento interno do animal nos explica as musculaturas adaptadas para a expansão e compressão dos pulmões nos animais. Afinal, um pulmão que consegue captar mais ar e expulsar mais gás carbônico, consegue realizar mais respiração celular.

Sintetizando, com essa musculatura foi possível paulatinamente deixar de lado a respiração cutânea típica das minhocas, sapos e platelmintos que dependia da umidade. Ou seja, esse novo estudo demonstra os primeiros passos dos répteis em direção ao domínio da terra.


*Sob supervisão de Giovanna Gomes

Historiador em formação que troca qualquer "sextou" por fofocas de época e análise econômica. Traduzo o mundo via cultura, provando que o passado é o melhor spoiler do presente. Quer entender como a engrenagem realmente gira? O convite para a viagem está nos meus artigos: