Mulher em foto com Andrew é alegada vítima de Epstein
Em audiência no Congresso americano, parlamentar afirma que imagem mostra uma mulher vítima de tráfico sexual na rede de Jeffrey Epstein

Uma foto amplamente divulgada dos arquivos da investigação sobre Jeffrey Epstein chamou ainda mais atenção nesta semana ao ser mencionada em uma audiência do Comitê Judiciário da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos. Durante os debates, o deputado democrata Ted Lieu afirmou que a mulher que aparece deitada no chão sob o ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor em uma fotografia teria sido identificada como vítima de tráfico sexual, aumentando a pressão pública para responsabilização de envolvidos no caso.
A imagem em questão foi exibida durante uma sessão em que os legisladores questionavam a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, acerca do recente conjunto de documentos divulgados relacionados à rede de Epstein. Nessa fotografia, Andrew aparece agachado sobre uma mulher cujo rosto foi ocultado por leis que protegem vítimas de crimes sexuais, e a configuração foi usada pelos parlamentares como exemplo de evidências visuais ligadas às operações de tráfico sexua.
Vítima de Epstein
Em sua intervenção, Ted Lieu argumentou que a simples ocultação do rosto da mulher não impede que ela seja considerada vítima sob a Victims Trafficking Protection Act (Lei de Proteção às Vítimas de Tráfico), explicando que essa classificação se aplica não apenas a Epstein, mas também a qualquer pessoa que tenha “patrocinado” ou se beneficiado de sua operação de tráfico sexual. “Sob a lei, não é apenas Epstein quem é culpado, mas qualquer pessoa que tenha participado ou usufruído de seu esquema”, disse Lieu na audiência.
A procuradora-geral Bondi confirmou que o rosto da mulher foi ocultado nos documentos por exigência legal para proteger a identidade de sobreviventes de tráfico sexual, mas refutou que essa prática seja uma admissão de culpa por parte de Andrew ou de qualquer outra pessoa retratada. Ela ressaltou que a exibição de fotografias isoladas não constitui por si só prova de crime e que qualquer investigação formal deve basear-se em uma avaliação abrangente de evidências, não apenas em imagens.
O episódio ocorre em meio a uma intensificação dos debates públicos e políticos nos EUA sobre a divulgação dos chamados “Epstein files” – milhões de páginas de documentos relacionados ao esquema de tráfico sexual que envolveram menores de idade e dezenas de figuras poderosas.
A controvérsia em torno de Andrew Mountbatten-Windsor é apenas um dos aspectos debatidos: embora ele sempre tenha negado quaisquer ligações impróprias com Epstein, sua associação ao financista levou à perda de títulos e funções oficiais no Reino Unido após um acordo civil em 2022 com uma das vítimas, a americana Virginia Giuffre, que denunciou ter sido traficada e abusada sexualmente por intermediários da rede quando era menor de idade.
O deputado Lieu enfatizou na audiência que a divulgação das fotografias e documentos aumenta a necessidade de transparência e responsabilização legal completa, não apenas para Epstein, mas para todos que possam ter tido “papéis facilitadores” em sua operação. Ele também criticou medidas que ele considera como tentativas de “proteger clientes” ao invés de vítimas, destacando que a identificação da mulher na foto como vítima de tráfico era um passo importante para reforçar essa perspectiva legal e moral.
Especialistas jurídicos ouvidos por veículos internacionais afirmam que, enquanto a identificação de uma pessoa como vítima sob a lei é um reconhecimento legítimo dos efeitos do tráfico sexual, não equivale automaticamente a acusações criminais contra terceiros retratados em imagens, e que os processos judiciais e investigações completas continuam sendo necessários para qualquer acusação formal.