Telescópio James Webb revela ventos que matam galáxias no início do cosmos
Novas imagens revelam como colisões no universo jovem geram rajadas de gás que impedem novas estrelas, destino que pode atingir a nossa Via Láctea

O Telescópio Espacial James Webb capturou um fenômeno avassalador que remete aos primórdios do universo: ventos intensos capazes de interromper a vida de galáxias inteiras. Observações recentes revelam que sistemas estelares antigos tiveram uma existência breve e morreram de forma precoce devido a colisões violentas. Esses encontros geraram rajadas de gás poderosas que dispersaram o combustível necessário para formar novos astros.
Fuga massiva de gás
Conforme reportado pelo veículo Live Science, pesquisadores utilizaram o James Webb para analisar o sistema CRISTAL-02, localizado a apenas 1 bilhão de anos após o Big Bang. Esse aglomerado representa o estágio final de uma fusão entre várias galáxias e apresenta uma pluma imensa de gás escapando para o espaço em velocidades altíssimas. A astrofísica da Universidade de Tecnologia de Swinburne, na Austrália, Rebecca Davies, explica que “a galáxia tem um vento poderoso que está ejetando material duas vezes mais rápido do que a galáxia forma estrelas”.
Morte rápida e precoce
Esse processo de “morte” ocorre porque os ventos aquecem e espalham as nuvens de gás frio antes que elas possam colapsar sob o efeito da gravidade para gerar novos bebês estelares. No sistema CRISTAL-02, cerca de 500 massas solares são perdidas anualmente, um ritmo vinte vezes superior ao de galáxias massivas comuns. Segundo o astrônomo do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), Andreas Faisst, este trabalho mostra diretamente o processo de encerramento da formação estelar em ação.
O especialista ressalta que “se o fluxo continuar, a galáxia ficará sem gás em menos de 100 milhões de anos”, o que representa um intervalo curtíssimo em escalas astronômicas.
Futuro da Via Láctea
De acordo com o estudo publicado no periódico Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, essa descoberta ajuda a solucionar o mistério de por que tantas galáxias massivas parecem inativas tão cedo na história cósmica. O fenômeno serve também como um vislumbre do que pode acontecer com o nosso próprio lar no futuro distante. Daqui a aproximadamente 4,5 bilhões de anos, a Via Láctea deve colidir com sua vizinha, a galáxia de Andrômeda. Andreas Faisst alerta que essa união provavelmente desencadeará ventos estelares semelhantes aos observados no CRISTAL-02, transformando nosso sistema em uma grande galáxia elíptica.
*Sob supervisão de Éric Moreira