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Morre o último sobrevivente da equipe que conquistou o Monte Everest pela 1ª vez, em 1953

Morre o lendário Kanchha Sherpa, aos 92 anos, membro da expedição que levou Edmund Hillary e Tenzing Norgay ao cume do Monte Everest

Kanchha Sherpa junto da equipe que escalou o Everest - Kanchha Sherpa Foundation

Em um momento de grande simbolismo para a comunidade montanhista, o Nepal e o mundo, Kanchha Sherpa, o último membro sobrevivente da histórica expedição que realizou a primeira ascensão bem-sucedida ao Monte Everest, faleceu aos 92 anos.

A notícia foi confirmada na manhã da última quinta-feira, 16, pela Associação de Montanhismo do Nepal, marcando o encerramento definitivo do ciclo dos pioneiros que reescreveram a geografia do planeta.

A conquista do Everest

Kanchha Sherpa, cuja vida foi intrinsecamente ligada às grandes altitudes, morreu pacificamente em sua residência, localizada em Kapan, no distrito de Kathmandu, após um período de saúde debilitada.

Kanchha Sherpa – Kanchha Sherpa Foundation

Phur Gelje Sherpa, presidente da associação, expressou o luto da nação: “Ele faleceu pacificamente em sua residência. Um capítulo da história do montanhismo desapareceu com ele”, lamentou, enfatizando o peso da perda para o legado do montanhismo. Seus ritos finais estão agendados para a próxima segunda-feira, 20.

O nome de Kanchha Sherpa está para sempre gravado na história como parte da equipe britânica de 35 membros que colocou o neozelandês Sir Edmund Hillary e o guia Sherpa Tenzing Norgay no pico de 8.849 metros (29.032 pés) em 29 de maio de 1953.

Embora os holofotes tenham se concentrado nos dois que pisaram o cume, o trabalho de apoio, liderado pelos Sherpas, foi a espinha dorsal do triunfo. Kanchha foi um dos três Sherpas essenciais que alcançaram o acampamento final antes do cume, desempenhando um papel crucial na fase mais arriscada e desafiadora da escalada.

Com a sua morte, Kanchha junta-se aos seus lendários companheiros: Tenzing Norgay faleceu em 1986, e Sir Edmund Hillary em 2008, agora deixando a expedição de 1953 apenas nos livros de história e nas memórias.

Kanchha Sherpa

Nascido em 1933, em Namche Bazar, o vilarejo que serve como principal porta de entrada para a região do Everest, Kanchha começou sua carreira no montanhismo precocemente, aos 19 anos.

Ele se manteve ativo no exigente setor de expedições até os 50 anos, dedicando grande parte de sua vida a auxiliar exploradores em uma das regiões mais inóspitas da Terra.

Em seus últimos anos, o lendário Sherpa não hesitou em levantar preocupações importantes sobre o estado atual do Qomolangma, nome que os Sherpas dão ao Everest, que significa “deusa mãe do mundo”.

Em uma entrevista concedida em março de 2024, ele manifestou profunda angústia com a superlotação e o acúmulo de lixo na montanha. Em um apelo que ressoou sua profunda conexão cultural e espiritual com o pico, ele defendeu a redução no número de alpinistas, exortando a necessidade de respeito pela montanha, que ele e sua comunidade reverenciam como uma divindade.

Kanchha Sherpa deixa a esposa, quatro filhos, duas filhas e netos. Sua vida não apenas testemunhou, mas também contribuiu ativamente para um dos maiores feitos do século 20. O legado de Kanchha Sherpa perdurará não apenas por ter sido o último a partir daquela equipe inicial, mas também por sua sabedoria e pelo lembrete de que a natureza, mesmo conquistada, exige o máximo de reverência.

Jornalista de formação, curioso de nascença, escrevo desde eventos históricos até personagens únicos e inspiradores. Entusiasta por entender a sociedade através do esporte. Vez ou outra você também pode me achar no impresso!