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Morre o sobrevivente do Holocausto Tomi Reichental

Sobrevivente do Holocausto que foi deportado ainda criança para o campo de concentração de Bergen-Belsen faleceu aos 90 anos de idade

Tomi Reichental durante entrevista - Crédito: Divulgação/vídeo/Youtube/RTE

Faleceu aos 90 anos de idade o sobrevivente do Holocausto Tomi Reichental. Ele, que era filho de agricultores e nascido na Tchecoslováquia em 1935, acabou sendo deportado ainda criança para o campo de concentração de Bergen-Belsen, na Alemanha, em 1944. Décadas depois, estabeleceu-se em Dublin, na Irlanda, onde dedicou grande parte de sua vida a preservar a memória das vítimas do regime nazista.

Como destaca uma matéria da BBC, Reichental perdeu 35 familiares próximos durante o Holocausto e transformou sua própria história em uma ferramenta de conscientização para as novas gerações, atuando com palestrante e escritor. Seu objetivo era garantir que os horrores vividos durante a Segunda Guerra Mundial jamais fossem esquecidos.

A presidente interina da Irlanda, Catherine Connolly, liderou as homenagens ao sobrevivente, destacando sua contribuição para a sociedade irlandesa ao compartilhar publicamente suas experiências em Bergen-Belsen e o sofrimento enfrentado por sua família. Como lembrou a fonte, cerca de 70 mil pessoas morreram em Bergen-Belsen, incluindo a jovem Anne Frank.

Originalmente criado como um campo para prisioneiros de guerra, o local foi transformado pelos nazistas em campo de concentração em 1943 e acabou libertado por tropas britânicas em abril de 1945.

Nova vida em Dublin

Após se mudar para a Irlanda em 1959, Reichental construiu sua vida em Dublin ao lado da família. Em diversas entrevistas, o sobrevivente afirmou que decidiu compartilhar sua trajetória por acreditar que as vítimas do Holocausto não poderiam ser esquecidas e porque temia que as lições daquele período sombrio da história estivessem sendo negligenciadas.

Em 2011, publicou sua autobiografia, “Eu Era um Garoto em Belsen”. Sua história também foi retratada em documentários dedicados aos acontecimentos vividos em Bergen-Belsen entre 1944 e 1945.

O primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, disse estar profundamente entristecido com a morte de Reichental e destacou que ele dedicou sua vida a ensinar as novas gerações sobre os perigos do ódio e do antissemitismo.

Em nota, o Conselho Representativo Judaico da Irlanda também lamentou a perda, e afirmou que Reichental foi uma das vozes mais importantes da Irlanda na promoção da memória, da educação e da humanidade.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.