Morre Mark Fuhrman, polêmico detetive do caso O.J. Simpson
Ex-detetive foi figura polêmica no julgamento contra o astro O.J. Simpson e se tornou o único indivíduo ligado ao caso a ser criminalmente condenado

O ex-detetive do Departamento de Polícia de Los Angeles (LAPD), Mark Fuhrman, cuja participação no julgamento por assassinato de O.J. Simpson em 1995 o transformou em uma das figuras mais conhecidas e polarizadoras da história jurídica dos Estados Unidos, morreu aos 74 anos.
A confirmação de sua morte veio por meio do escritório do legista do condado de Kootenai, em Idaho, estado onde ele residia. Fuhrman faleceu no dia 12 de maio após uma batalha privada contra um câncer agressivo na garganta, conforme relataram amigos próximos e meios de comunicação locais.
++ Em julgamento de O.J. Simpson, detetive foi comparado a Hitler: “racista genocida”
Polêmicas no caso O. J.
A trajetória de Fuhrman ficou marcada permanentemente por seu papel central na investigação do duplo homicídio de Nicole Brown Simpson (ex-esposa do ex-jogador de futebol americano) e de seu amigo Ronald Goldman, ocorridos em junho de 1994.
Inicialmente apontado como a principal testemunha da promotoria, o prestígio e a credibilidade do investigador ruíram diante das câmeras de televisão do mundo inteiro devido a graves acusações de racismo e à forma como conduziu a coleta de provas no caso.
A polêmica em torno do detetive atingiu seu ápice a partir de dois episódios fundamentais: a situação das luvas ensanguentadas e as gravações de áudio com teor racista. No início da apuração, Fuhrman afirmou ter encontrado uma luva de couro preta com traços de sangue na propriedade de O.J. Simpson, em Brentwood, que combinava perfeitamente com outra luva encontrada na cena do crime original.
A acusação pretendia usar o item para vincular diretamente o réu aos assassinatos. Contudo, a defesa de Simpson — aclamada como “Dream Team” — encontrou brechas na atuação do detetive e levantou a hipótese de que a evidência havia sido deliberadamente plantada por motivações raciais.
Acusações raciais
A estratégia da defesa ganhou força devastadora quando o advogado F. Lee Bailey confrontou Fuhrman sob juramento, questionando se ele havia proferido termos racistas injuriosos contra pessoas negras nos dez anos anteriores. O detetive negou categoricamente.
No entanto, os advogados de defesa obtiveram fitas gravadas por uma aspirante a roteirista nas quais Fuhrman não apenas utilizava repetidamente insultos racistas brutais, mas também vangloriava-se de práticas de má conduta policial e violência.
O surgimento dessas gravações gerou indignação pública, destruiu a reputação do policial perante o júri e deu sustentação à tese de racismo sistêmico na polícia de Los Angeles. Diante da revelação de que havia mentido na corte, Fuhrman acabou sendo formalmente acusado de perjúrio em 1996, tornando-se o único indivíduo associado ao processo a ser criminalmente condenado.
Após a absolvição de O.J. Simpson em 1995, Fuhrman aposentou-se da polícia e mudou-se para Idaho. Ele reinventou sua carreira tornando-se autor de livros de crimes reais, além de comentarista político e analista forense em redes de rádio e TV, mantendo-se como uma figura de destaque na mídia norte-americana até seus últimos anos de vida.