Morre homem que esperou 4 anos por transplante de 5 órgãos
Arquiteto brasiliense aguardou quatro anos na fila e relatava rotina de superação com hemodiálise e nutrição parenteral; entenda o caso!

O arquiteto Luiz Henrique Calado Perillo, 35 anos, morreu após passar por um transplante multivisceral, considerado um dos procedimentos mais complexos da medicina. A notícia foi confirmada nas redes sociais do próprio arquiteto, que havia dado entrevista ao VivaBem em 2023 sobre sua condição de saúde.
Perillo aguardou quatro anos na fila de transplante. Ele precisava receber estômago, pâncreas, fígado, intestino e rim de um mesmo doador. A cirurgia foi realizada no último dia 23 de setembro, mas complicações durante o procedimento — incluindo infecção e uma parada cardíaca — levaram à sua morte.
Luta
O arquiteto convivia com trombofilia, condição que provoca formação anormal de coágulos sanguíneos. A doença levou a múltiplas tromboses e à retirada do intestino, além de provocar insuficiência renal.
Perillo vivia com uma bolsa de ileostomia e fazia hemodiálise. Em entrevista ao VivaBem, em 2023, ele contou como era a rotina de tratamento: passava 16 horas por dia conectado à nutrição parenteral. Ainda assim, mantinha esperança. “Sempre fui muito calmo e paciente. Apesar do tempo internado, estou muito bem, sempre com pensamento positivo e confiante”, afirmou na época.
Desafios
Segundo o UOL, o transplante multivisceral exige que todos os órgãos sejam do mesmo doador, para que sejam transplantados em conjunto, preservando vasos e nervos. A técnica reduz riscos de rejeição, mas envolve grande complexidade cirúrgica.
O procedimento foi incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) neste ano. A decisão considerou não apenas o custo da cirurgia, mas também os altos gastos com a manutenção da saúde de pacientes que enfrentam longos períodos de internação e complicações.
Em sua última entrevista, Perillo destacou a saudade da rotina simples que a doença lhe havia tirado. “Sinto falta de coisas simples, como acordar na minha cama, fazer meu café, sair para trabalhar, ir à academia. Sempre tive uma vida muito ativa e isso faz falta”, disse.