Morre aos 100 anos Nano da Silva Ramos, terceiro brasileiro na Fórmula 1
Terceiro brasileiro na história a competir na Fórmula 1 e o ex-piloto mais velho da categoria, Nano da Silva Ramos faleceu nesta semana, aos 100 anos

Morreu nesta segunda-feira, 4, aos 100 anos, o ex-piloto de Fórmula 1 Hermano “Nano” da Silva Ramos, terceiro brasileiro a competir na principal categoria do automobilismo mundial. Filho de pai brasileiro e mãe francesa, ele nasceu em Paris, mas correu representando o Brasil e era, até então, o mais velho ex-piloto vivo da F1.
Segundo o GE, Nano foi internado no último domingo, 3, com pneumonia, mas não resistiu. Ele vivia com a esposa na cidade francesa de Biarritz, próxima à fronteira com a Espanha. O enterro está marcado para o dia 8 de maio, na França.
Trajetória de Nano
Nascido em 7 de dezembro de 1925, Nano foi precedido apenas por Chico Landi e Gino Bianco entre os brasileiros na Fórmula 1. Após a Segunda Guerra Mundial, mudou-se para o Brasil e iniciou sua trajetória no automobilismo em 1947, aos 21 anos. Antes de chegar à F1, participou de provas com carros esportivos na França e também disputou as tradicionais 24 Horas de Le Mans.
Entre essas participações, esteve presente na edição de 1955 da corrida, marcada pela tragédia em La Sarthe, quando um acidente provocou a morte de 84 pessoas. No mesmo ano, Nano estreou na Fórmula 1 pela equipe Gordini, no Grande Prêmio da Holanda, onde terminou na oitava colocação.
Seu melhor momento na categoria aconteceu na temporada seguinte, no GP de Mônaco de 1956. Após largar na 14ª posição, ele cruzou a linha de chegada em quinto lugar. Na época, apenas os seis primeiros colocados pontuavam, e o resultado rendeu dois pontos ao brasileiro — os únicos de sua carreira na Fórmula 1.

Esse desempenho fez com que Nano mantivesse, até 1970, o posto de brasileiro com mais pontos somados na categoria. O recorde foi superado apenas por Emerson Fittipaldi, que mais tarde se tornaria bicampeão mundial.
Nano deixou a Fórmula 1 em 1957, profundamente abalado pela morte do espanhol Alfonso de Portago, um de seus grandes amigos. O piloto faleceu naquele ano durante a disputa das Mil Milhas de Brescia, fato que influenciou diretamente sua decisão de se afastar da principal categoria do automobilismo, repercute o Motorsport.
Apesar disso, ele ainda retornou às pistas em 1958 para competir em provas de Turismo e Fórmula 2. Em 1959, participou novamente das 24 Horas de Le Mans, desta vez correndo pela Ferrari.
A despedida definitiva do automobilismo aconteceu aos 35 anos, após uma corrida de carros esportivos no Rio de Janeiro.