Militares nomeiam general como presidente interino após golpe de Estado em Guiné-Bissau
As Forças Armadas da Guiné-Bissau anunciaram a nomeação do novo presidente interino nesta quinta-feira, 27, um dia após golpe de estado

As Forças Armadas da Guiné-Bissau anunciaram nesta quinta-feira, 27, a nomeação do general Horta N’Tam como presidente interino, um dia após a execução de um golpe de estado que resultou na destituição do presidente em exercício e na suspensão do processo eleitoral em andamento. A decisão foi divulgada durante uma coletiva de imprensa realizada em Bissau.
O general Horta N’Tam, que até então ocupava o cargo de chefe do Estado-Maior do Exército, prestou juramento no quartel-general das Forças Armadas e afirmou: “Acabo de ser investido para liderar o Alto Comando”.
De acordo com a AFP, o golpe ocorreu um dia antes da divulgação dos resultados provisórios das eleições presidenciais e legislativas, que aconteceram no último domingo. Tanto o presidente Umaro Sissoco Embaló quanto o opositor Fernando Dias de Costa reivindicavam a vitória.
Na primeira declaração após a tomada do poder, os militares afirmaram ter assumido “o controle total do país”, anunciando a detenção de Embaló e a suspensão do processo eleitoral. O general Denis N’Canha, chefe do gabinete militar da presidência, justificou a ação ao afirmar que buscavam garantir a segurança nacional e restabelecer a ordem, citando um suposto plano para desestabilizar o país.
Sobre o país
A Guiné-Bissau, um país com uma população de aproximadamente 2,2 milhões de habitantes, enfrenta sérios problemas relacionados à corrupção e é reconhecida como um ponto estratégico no tráfico de drogas entre a América do Sul e a Europa, agravado pela instabilidade política.
Após o golpe, as autoridades militares informaram que o ex-presidente Embaló estava sendo tratado de forma adequada. Informações adicionais indicam que Domingos Simões Pereira, líder opositor que não pôde concorrer nas eleições devido à decisão do Supremo Tribunal, também foi detido.
Desde sua independência de Portugal em 1974, Guiné-Bissau passou por quatro golpes de estado e várias tentativas de golpe. Nesta quinta-feira, foram observados numerosos postos de controle militar nas principais avenidas da capital Bissau, onde os soldados realizavam inspeções sistemáticas nos veículos e monitoravam cuidadosamente a área ao redor do palácio presidencial.