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Menino que acusou Michael Jackson de abuso teve as memórias manipuladas, afirma livro

Menino que acusou o Rei do Pop de abuso teria sido drogado e tido as memórias manipuladas pelo próprio pai, conforme aponta novo livro

Michael Jackson - Getty Images

Com a proximidade do lançamento da cinebiografia de Michael Jackson, marcado para 23 de abril, o universo que cerca o nome do Rei do Pop volta ao centro das atenções. Nesse contexto, o livro best-seller “Unmasked: The Final Years of Michael Jackson” ganha uma nova edição, trazendo uma teoria controversa sobre a primeira acusação de abuso sexual envolvendo o artista.

Durante sua vida, Jackson negou todas as acusações. O jornalista investigativo Ian Halperin, responsável pela obra, afirma que o primeiro acusador do cantor, Jordan Chandler (também conhecido como Jordie), teria sido influenciado pelo próprio pai e que suas memórias teriam sido alteradas por ele.

Em entrevista ao Daily Mail, Halperin disse não acreditar que Chandler tenha sido abusado por Jackson, e defendeu que o jovem teria sido manipulado pelo pai em uma tentativa de obter vantagens financeiras.

Nova edição

A edição atualizada do livro inclui a transcrição de uma entrevista realizada em outubro de 1993 com Chandler, então com 13 anos, conduzida por um especialista em psiquiatria infantil.

O cantor conheceu Jordie em 1992, depois que seu carro quebrou e ele visitou a locadora de automóveis do padrasto do garoto. A partir daí, passou a manter contato frequente com a família. Foi nesse período que o menino acusou o Rei do Pop de beijar, praticar sexo oral e se masturbar junto com ele. O adolescente também relatou que, se dissesse a Jackson que não gostava, o artista, então com 34 anos, começava a chorar e o acusava de não o amar de verdade.

O caso foi analisado pelo psiquiatra Richard Gardner, conhecido por atuar em situações de alegações de abuso infantil, que à época concluiu que o adolescente teria sido vítima.

No entanto, segundo o livro, Gardner não teria tido conhecimento de que Evan Chandler, pai do garoto, havia administrado ao filho o sedativo amital sódico — substância popularmente chamada de “soro da verdade” — durante um procedimento odontológico em julho de 1993. Halperin levanta a hipótese de que o uso da droga possa ter influenciado o relato do jovem, mencionando precedentes judiciais em que o composto teria sido associado à indução de falsas memórias.

O autor também aponta que o pai de Chandler, dentista em Beverly Hills com ambições em Hollywood, teria tentado se aproximar de Jackson com interesses profissionais. Após um suposto afastamento do cantor, a relação teria se deteriorado, levando à contratação de advogados.

Surge a denúncia

De acordo com a narrativa apresentada no livro, Chandler inicialmente não relatava comportamentos impróprios, mas, após um atendimento odontológico com o pai, teria, enquanto ainda estava sob efeito do sedativo, acusado Jackson de ter tocado em suas partes íntimas.

Ainda segundo o autor, o pai do jovem não procurou imediatamente a polícia, mas teria tentado negociar com representantes de Jackson, exigindo a compra de roteiros por valores milionários, proposta que foi recusada e interpretada como tentativa de extorsão.

Posteriormente, o caso foi levado a um psiquiatra infantil, que o reportou às autoridades de Los Angeles, dando início ao processo criminal. Antes do julgamento, foi firmado um acordo financeiro entre as partes, no qual Jackson pagou mais de US$ 15 milhões à família, além de outras quantias destinadas aos pais e a custos legais.

Anos depois, o artista voltou a ser acusado em outro caso que chegou aos tribunais, mas acabou absolvido. Ainda assim, as controvérsias marcaram profundamente sua trajetória até sua morte, em 2009. Evan Chandler morreu por suicídio no mesmo ano, após ser diagnosticado com câncer, enquanto Jordan e sua mãe desapareceram da vida pública pouco depois.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.