Mausoléu romano ‘excepcional’ é descoberto perto de Lyon
Construído por volta de 50 d.C., monumento funerário circular tem 15 metros de diâmetro e surpreende arqueólogos franceses

Arqueólogos localizaram um imponente mausoléu romano desconhecido, datado de cerca de 50 d.C., em uma área onde existia uma das mais importantes colônias romanas da Gália. Segundo os especialistas do Musée Gallo-Romain, trata-se do mais bem preservado dos apenas 18 mausoléus circulares conhecidos na França — um achado raro que promete lançar nova luz sobre a elite romana que habitava a região.
Com 15 metros de diâmetro interno e altura estimada superior a seis metros, a estrutura funerária teria sido inspirada no monumental túmulo do imperador Augusto, em Roma, e projetada para ser visível a todos os viajantes que chegassem à colônia de Vienne, especialmente os que vinham pelo rio Ródano.
Essas dimensões demonstram a importância da pessoa enterrada aqui, uma pessoa que, mesmo morta, ainda devia estar presente no mundo dos vivos”, afirmou a arqueóloga Giulia Ciucci, diretora científica do museu.
Embora a identidade do ocupante do túmulo ainda seja desconhecida, o tamanho e a localização do monumento indicam que ele pertenceu a um membro da elite aristocrática local, com fortes vínculos políticos e econômicos com Roma. “A aventura está apenas começando”, disse Ciucci, destacando que os estudos continuarão ao longo dos verões de 2026 e 2027, em colaboração com universidades francesas e centros de pesquisa como o CNRS.
Escavações
A campanha de escavações também revelou, nas proximidades das Termas do Norte de Saint-Romain-en-Gal, vestígios de um edifício comercial datado dos séculos 1 a 2 d.C., onde foram identificadas três lojas romanas. Duas delas funcionavam como oficinas têxteis, com cubas utilizadas no processo de pisoteamento de lã para fabricar tecidos mais resistentes — inclusive a tradicional toga branca usada em cerimônias cívicas. A terceira loja estava equipada com um forno, sugerindo atividades de fabricação de vidro ou cerâmica.
Segundo Benjamin Clément, professor da Universidade Marie-et-Louis-Pasteur em Besançon, a diversidade das oficinas e o excelente estado de preservação dos achados permitirão entender não só o comércio de longa distância da época, mas também os aspectos menos documentados do comércio local na Gália Romana. “Raramente temos a oportunidade de encontrar objetos tão bem preservados que nos permitem avançar tanto na compreensão da vida cotidiana da época”, concluiu.
Segundo a ‘Archaeology Magazine’, o sítio arqueológico de Saint-Romain-en-Gal permanece aberto ao público e continuará sendo palco de novas escavações nos próximos anos, atraindo tanto estudiosos quanto visitantes curiosos em testemunhar de perto os vestígios da grandeza esquecida da Gália romana.
*Sob supervisão de Fabio Previdelli