Mapeamento revela mais de 630 mil antigos fornos de carvão na Polônia
Uma rede de 630 mil fornos de carvão descoberta por LiDAR na Polônia revela danos ambientais permanentes e segredos industriais ocultos há séculos

Um mapeamento expôs mais de 630.000 antigos locais de fornos de carvão vegetal na Polônia. A descoberta foi realizada por pesquisadores da Academia Polonesa de Ciências e revelou a verdadeira dimensão da indústria que sustentava a metalurgia, a produção de vidro e outros ofícios durante séculos.
A análise utilizou escaneamento a laser aéreo (LiDAR) em conjunto com registros históricos, nomes de lugares e dados ambientais. Essa combinação de métodos permitiu identificar vestígios que documentos escritos mal registravam devido à natureza móvel da atividade.
O método de produção e a demanda industrial
De acordo com informações da revista Archaeology News, antes da popularização do carvão mineral, o carvão vegetal era o combustível fundamental para atingir altas temperaturas. A fundição de ferro e a fabricação de vidro exigiam calor constante entre 500 e 800 graus Celsius, uma faixa térmica que a madeira bruta não fornecia com eficácia.
Além disso, o processamento de madeira rica em resina gerava subprodutos valiosos, como o alcatrão usado para vedar barcos e as cinzas para a produção de pólvora.
Os trabalhadores adotavam um sistema consistente para suprir essa demanda. Eles empilhavam troncos em montes circulares de quase 10 metros de diâmetro e os cobriam com turfa e areia para restringir a entrada de oxigênio.
Então, a queima ocorria lentamente no interior por até 20 dias. Após o ciclo, o grupo se deslocava para um novo trecho de floresta, explicando a ausência de estruturas permanentes e a dificuldade de historiadores anteriores em mapear essa indústria.
Impactos ambientais e legado histórico
O escaneamento LiDAR revelou que esses locais aparecem hoje como depressões circulares rasas sob a cobertura de árvores. No entanto, as marcas deixadas no ambiente são químicas e profundas.
Estudos de solo indicam que o calor intenso dos fornos esterilizou as camadas de terra e alterou a acidez local. Mesmo após um século, essas áreas apresentam concentrações mais altas de metais pesados, como o cádmio, e uma quantidade reduzida de microrganismos.
A linguagem também preservou evidências desse passado industrial. Muitos nomes de assentamentos registrados antes do século 17 fazem referência direta à produção de carvão e alcatrão, corroborando os padrões espaciais identificados pelo laser.
O esforço conjunto da equipe multidisciplinar resultou em um banco de dados nacional, onde esses sítios são agora tratados como patrimônio da arqueologia industrial.
*Sob supervisão de Éric Moreira