Notícias / Sri Lanka

Major-general é preso no Sri Lanka por ataques que mataram 279 pessoas

Major-general é suspeito de ter participado dos atentados do Domingo de Páscoa direcionados a três igrejas e três hotéis, que deixaram 279 mortos em 2019

Ataques mataram 279 pessoas em 2019 - Crédito: Getty Images

A polícia do Sri Lanka prendeu nesta quarta-feira o ex-chefe do serviço de Inteligência do país, suspeito de participação nos atentados do Domingo de Páscoa de 2019, que deixaram 279 mortos.

Suresh Sallay, que é major-general reformado, foi detido ao amanhecer, no horário local (ainda madrugada no Brasil) na capital. Segundo a emissora britânica Channel 4, ele mantinha ligações com extremistas islâmicos e teria se reunido com integrantes do grupo antes dos ataques.

De acordo com o balanço oficial, além dos 279 mortos, mais de 500 pessoas ficaram feridas. Um investigador da polícia informou que Sallay foi preso sob suspeita de conspiração e cumplicidade nos atentados. O militar nega as acusações.

Sallay assumiu o comando do Serviço de Inteligência após Gotabaya Rajapaksa chegar à Presidência, no final de 2019. Segundo informações do portal UOL, uma testemunha afirmou que os ataques teriam sido planejados para influenciar a eleição presidencial daquele ano a favor de Rajapaksa.

Dois dias depois dos atentados, Rajapaksa anunciou sua candidatura e venceu o pleito de novembro com ampla vantagem, prometendo, durante a campanha, erradicar o extremismo islâmico no país. Ele deixou o poder após uma revolta popular e fugiu do Sri Lanka em 2022.

O grupo responsável

As autoridades do país atribuíram os ataques contra três igrejas e três hotéis a um grupo jihadista local. Sallay também é investigado por suspeita de ter colaborado com a ação.

Como destaca o portal The Week, outras apurações também apontaram que as autoridades deixaram de agir apesar dos alertas enviados por uma agência de inteligência indiana sobre a iminência de um atentado.

A Justiça responsabilizou o então presidente Maithripala Sirisena e outros quatro altos funcionários, que foram condenados a pagar mais de US$ 1,03 milhão em um processo civil por não terem evitado os ataques.

A Organização das Nações Unidas pediu ao Sri Lanka que tornasse públicas partes das investigações anteriores sobre os atentados que permaneceram sob sigilo.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.