Máfia é acusada de fraudar hospital em Nápoles
Autoridades italianas prendem quatro suspeitos de desviar serviços hospitalares e organizar esquema de fraude para a máfia

As autoridades italianas anunciaram nesta quinta-feira, 26, a prisão de quatro pessoas ligadas ao clã Contini da Camorra, a tradicional máfia napolitana, suspeitas de protagonizar um vasto esquema criminoso que teria se infiltrado dentro do Hospital San Giovanni Bosco, em Nápoles, para fraudar serviços, extorquir dinheiro e até transportar corpos de forma ilegal, revela reportagem do The Guardian.
De acordo com os promotores, as prisões fazem parte de uma investigação que teve início após o depoimento de um delator do estado, que apontou um “complexo sistema de atuação” no interior da unidade de saúde. As acusações incluem a tomada de controle de serviços aparentemente inofensivos, como o bar, a cafeteria e as máquinas de venda automática dentro do hospital, usados para gerar rendimentos ilícitos e estabelecer influência sobre funcionários, pacientes e visitantes.
Esquema da Máfia
Segundo a Justiça italiana, o grupo teria usado métodos de intimidação para subjulgar tanto funcionários públicos quanto cidadãos, permitindo que operassem sem barreiras legais. “As operações foram possíveis graças à capacidade de intimidação da organização, que submeteu agentes públicos e privados à sua vontade”, disseram os procuradores.
Investigadores afirmam que a Camorra não se limitou às fraudes no interior da instituição. O clã teria explorado uma associação ligada à prestação de serviços de ambulância, contando com a ajuda de médicos, paramédicos, seguranças privados e outros funcionários conectados ao hospital. Parte do esquema teria envolvido encenar acidentes de trânsito para garantir compensações de seguro fraudulentas, contratação de testemunhas pagas e a produção de documentos falsificados para respaldar pedidos de indenização.
O que realmente chocou as autoridades foi a forma como os suspeitos supostamente lidavam com corpos de pacientes já falecidos. Em um golpe macabro, os promotores dizem que os suspeitos usaram ambulâncias particulares para remover cadáveres do hospital — muitas vezes colocando os corpos em macas com mascarillas de oxigênio — para dar a impressão de que ainda estavam vivos durante o transporte, evitando assim os trâmites legais exigidos para a retirada por serviços funerários oficiais. Famílias enlutadas teriam sido cobradas entre €700 e €1.200 por esse serviço irregular.
Entre os suspeitos está um médico do pronto-socorro acusado de falsificar documentos de alta de pacientes já mortos, facilitando a sua saída do hospital sem os devidos procedimentos. Além disso, um psiquiatra ligado à autoridade de saúde local é investigado por emitir certificados médicos falsos para permitir benefícios judiciais a membros associados à Camorra, incluindo possíveis liberações antecipadas de prisão.