Lebre quase extinta é vista pela primeira vez em 40 anos — mas estava morta
Cientistas chineses encontram carcaça beira estrada de animal à beira da extinção; corpo dá esperanças de encontrar outros espécimes na região

A Lebre de Hainan, ou Lepus hainanus, já foi um animal muito comum na Ilha Hainan, China. Porém, com o desenvolvimento das cidades e dos campos agrícolas a espécie têm sumido da maior parte da ilha. O último relato da espécie na região encontrada pelos cientistas foi há mais de 40 anos.
Surpreendentemente, os pesquisadores não estavam procurando a espécie. Porém, em um trajeto à um trabalho de campo, uma carcaça do animal, completamente esmagada no asfalto, foi identificada por um deles.

A Lebre de Hainan
Aliás, os pequenos animais estão entre os lagomorfos, ordem que abrange coelhos, lebres e as pikas, menos estudados do mundo. Apesar da fatalidade, o artigo publicado em 15 de dezembro do ano passado na revista Mammalia, aponta que o encontro foi realizado a 200 quilômetros da única faixa de habitação dos animais na ilha chinesa.
Ou seja, foi a primeira vez desde 1986 que um vestígio de espécime deste animal foi encontrado a nordeste da ilha de Hainan. Subitamente, os cientistas descobriram mais uma região que a ameaçada lebre pode estar sendo negligenciada, segundo o Live Science.
Uma crise animal
Visto que a espécie já foi divulgada como tendo entre 10.000 espécimes e hoje os relatos falam de 250 a 500 indivíduos na ilha, a notícia surpreendeu a comunidade local.
A queda dos animais se deve à rápida industrialização e expansão agrícola que houve na ilha. Sem habitats propícios, a espécie pouco a pouco foi desaparecendo. Inclusive, hoje a espécie se encontra na Lista Vermelha da China.
Logo após a descoberta, Michael Hui, um oficial de conservação do grupo conservacionista Kadoorie Farm and Botanic Garden (KFBG), disse em uma entrevista ao Live Science:
Ela fornece esperança para esta espécie criticamente ameaçada nacionalmente, pois sua faixa atual é mais ampla do que conhecida anteriormente.”
Ainda não há mais informações sobre o caso. Se a espécie pode ser recuperada, estimulada, clonada ou reproduzida artificialmente, somente o tempo e a Ilha de Hainan pode responder.
*Sob supervisão de Éric Moreira