Pesquisadores divulgaram uma nova análise sobre a desflorestação em Rapa Nui (Ilha de Páscoa), apontando que a destruição da vegetação não foi causada exclusivamente por ações humanas, mas teve como protagonista principal a introdução de ratos polinésios (Rattus exulans). Estudos ecológicos e modelagens indicam que esses roedores, introduzidos com os primeiros colonos humanos, rapidamente se proliferaram (um par de ratos poderia gerar até 11 milhões de indivíduos em menos de 50 anos) e atacaram as sementes das palmeiras nativas, impedindo sua regeneração.
Antes da chegada humana, estimativas apontam que a Ilha de Páscoa era dominada por cerca de 15 milhões de palmeiras da espécie Paschalococos disperta. Ao tempo da chegada dos europeus, no século 18, restavam apenas alguns exemplares isolados, estando a maior parte da ilha coberta por gramíneas e arbustos. Os autores do estudo apontam que os ratos alcançaram “cada canto da ilha em poucas décadas após a chegada humana”, mastigando sementes nutritivas e interrompendo o ciclo natural das palmeiras.
Desmatamento da ilha
O fator que tornou as palmeiras particularmente vulneráveis foi sua estratégia reprodutiva: poucas sementes por árvore, mas altamente nutritivas, o que as tornou presas ideais para ratos com alta capacidade reprodutiva. Quando as sementes são consumidas sistematicamente, não há reposição de novos indivíduos arborizados e o ecossistema entra em colapso vegetal. O estudo sugere que, mesmo sem o uso de fogo ou corte por humanos, os ratos poderiam sozinhos ter levado à extinção das palmeiras.
Além disso, a análise zoológica de restos de ratos do sítio de Anakena indicou que sua população sofreu um ciclo explosivo seguido de colapso quando os recursos alimentares — as próprias sementes — se exauriram. Esse padrão é compatível com a ideia de que os ratos funcionaram como agentes de transformação ecológica antes da intervenção humana em larga escala.
O novo modelo abre caminho para uma abordagem mais específica da ecologia insular e do impacto de espécies invasoras, lembrando que em ambientes isolados até agentes aparentemente pequenos — como ratos — podem exercer efeitos colossais sobre paisagens inteiras.