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Justiça condena herdeiros de orfanato paulista por tráfico internacional de crianças

Decisão judicial obriga herdeiros a indenizar vítimas de um esquema internacional

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Imagem ilustrativa - donos de orfanato foram condenados por tráfico de crianças (Foto: Freepik)

A 10ª Vara Cível Federal de São Paulo condenou os herdeiros do antigo Lar da Criança Menino Jesus, na zona norte de São Paulo por danos morais coletivos. A decisão foi tomada após a constatação de que o abrigo, ativo nas décadas de 1980 e 1990, serviu de fachada para um esquema de tráfico internacional de crianças.

De acordo com reportagem do UOL, os herdeiros foram condenados pela Justiça Federal a pagar R$ 500 mil. A ação ainda cabe recurso, mas representa um avanço diante de uma investigação detalhada. Os nomes dos condenados não foram divulgados publicamente.

A investigação revelou que Franco e Guiomar Morselli, fundadores do orfanato, usaram o espaço destinado à proteção infantil para promover adoções clandestinas e enviar menores para o exterior. Ambos morreram antes do julgamento, mas seus sucessores legais assumem agora a responsabilidade civil pelos crimes cometidos.

De acordo com a sentença, a instituição foi transformada em um núcleo de falsificações e manipulação de documentos, permitindo que registros de nascimento fossem adulterados. Assim, as funcionárias apareciam como mães biológicas, o que facilitava a emissão de passaportes falsos e a saída ilegal das crianças do país.

A ação civil pública foi movida pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão, que também prevê indenizações individuais às vítimas enviadas ilegalmente para fora do Brasil. A decisão ainda pode ser contestada, mas reforça o entendimento de que o casal usou o orfanato para fins criminosos.

O caso já havia sido investigado pela Polícia Federal e analisado por uma Comissão Parlamentar de Inquérito em 2012, que trouxe à tona detalhes sobre o envolvimento de intermediários e famílias estrangeiras. Segundo o inquérito, a França foi um dos principais destinos das crianças retiradas irregularmente do abrigo.

Passado de crimes e reparação tardia

Durante o processo, os herdeiros tentaram dividir a culpa com uma antiga funcionária do orfanato, mas o pedido foi negado pela juíza Sylvia Figueiredo. Para a magistrada, o casal Morselli estruturou uma rede criminosa que se beneficiou da confiança pública para alimentar um mercado ilegal de adoções.

Quase quarenta anos após o início dos crimes, a decisão judicial simboliza um esforço de reparação às vítimas. O Lar da Criança Menino Jesus, que um dia deveria representar abrigo e cuidado, entra para a história como um dos casos mais sombrios de violação dos direitos infantis no país.


*Sob supervisão de Fabio Previdelli