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Jovem com crânio em formato de cone morreu após grave ferimento na cabeça há 6 mil anos

Crânio encontrado em um cemitério pré-histórico no Irã pertenceu a jovem e teria sido moldado em formato cônico durante seus primeiros anos de vida

Crânio foi fraturado na frente e no lado esquerdo
Crânio foi fraturado na frente e no lado esquerdo - Divulgação/Revista Internacional de Osteoarqueologia

Um grupo de arqueólogos encontrou, em um cemitério pré-histórico no Irã, o crânio de uma jovem que viveu há mais de 6.000 anos. O osso, moldado intencionalmente em formato cônico provavelmente durante os primeiros anos de vida, apresenta danos severos que sugerem uma morte violenta.

“Um objeto com bordas largas fraturou gravemente o crânio dessa jovem nos momentos finais de sua vida”, disseram Hamed Vahdati Nasab e Mahdi Alirezazadeh, arqueólogos da Universidade Tarbiat Modares, em Teerã, em estudo publicado recentemente no International Journal of Osteoarchaeology.

Os restos da jovem, que teria menos de 20 anos no momento da morte, foram escavados no cemitério de Chega Sofla, no sudoeste do país. Segundo a revista Smithsonian, o sítio arqueológico, datado entre 4700 e 3700 a.C., também preserva vestígios de um antigo assentamento, conforme registrado pela UNESCO.

Em entrevista à jornalista Kristina Killgrove, do Live Science, Alirezazadeh afirmou que se tratava de um “milênio movimentado”. “As pessoas tinham templos, sistemas de crenças e grandes edifícios e estruturas”, explicou. No final desse período, “vemos o surgimento da escrita e o início da urbanização”.

A prática de deformação craniana artificial parece ter sido comum entre os habitantes de Chega Sofla. O procedimento consistia em moldar e prender o crânio de bebês para que crescessem com uma forma específica. Povos como os maias, vikings e moradores de ilhas japonesas também realizaram esse tipo de modificação ao longo da história, geralmente por razões religiosas ou de status social.

Há cerca de uma década, arqueólogos do Projeto Pré-histórico Zohreh vêm trabalhando no local e já identificaram mais de uma dúzia de crânios alongados. O da jovem analisada apresenta uma fratura triangular que se projeta para trás a partir da testa.

“É importante notar que a modificação craniana intencional nos dois primeiros anos de vida afetou a biomecânica do crânio, tornando-o mais vulnerável a danos em comparação a um crânio normal”, disse Alirezazadeh à Newsweek. Ele ressalta, contudo, que um impacto tão forte teria causado danos mesmo a um crânio sem alterações.

“Nossa análise do padrão da fratura indica que o ferimento ocorreu nos momentos finais da vida da jovem, e não há sinais de cicatrização óssea”, acrescenta.

Objeto não identificado

Apesar disso, os especialistas não conseguiram identificar com precisão o objeto responsável pela lesão, nem determinar se o golpe foi acidental ou intencional. “Não temos nenhuma evidência direta que indique que alguém a golpeou intencionalmente”, afirmou Alirezazadeh ao Live Science.

Chega Sofla pertence a uma cultura que antecedeu o reino de Elam, que floresceu no sudoeste do Irã por volta do século 13 a.C. Outros crânios fraturados foram encontrados no sítio, embora sem sinais de modificação. Ao longo dos anos, os túmulos da região têm revelado detalhes valiosos sobre a sociedade pré-histórica local. “Existem outras amostras interessantes nas quais estamos trabalhando atualmente”, conclui Alirezazadeh.

Giovanna Gomes é jornalista e estudante de História pela USP. Gosta de escrever sobre arte, arqueologia e tudo que diz repeito à cultura e à história do ser humano.