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Itália investiga morte de 18 lobos e suspeita de envenenamento em parque

Autoridades italianas investigam a morte de 18 lobos em parque nacional na Itália; caso levanta suspeita de envenenamento e preocupa ambientalistas

Lobo-italiano / Crédito: Getty Images

Dezoito lobos foram encontrados mortos no Parque Nacional de Abruzzo, Lazio e Molise, na Itália, em um intervalo de uma semana, em um caso que levanta suspeitas de envenenamento deliberado. A descoberta levou à abertura de uma investigação criminal, enquanto autoridades e organizações ambientais classificam o episódio como um dos mais graves crimes contra a vida selvagem no país na última década.

De acordo com a administração do parque, oito carcaças foram localizadas recentemente em três áreas distintas, somando-se a outros dez animais encontrados mortos dias antes. Além dos lobos, também foram identificadas carcaças de três raposas e um bútio-comum, o que reforça a hipótese de contaminação ambiental por substâncias tóxicas.

Em comunicado, representantes do parque expressaram consternação diante da situação. “A decepção se mistura ao desespero… É uma dor que varia do sofrimento profundo à incredulidade”, afirmaram. “Esperamos não ter que lidar com mais más notícias. Repetimos mais uma vez que, seja qual for a motivação, a ilegalidade e o crime não podem ser justificados de forma alguma.”

As investigações tiveram início após guardas florestais encontrarem iscas suspeitas nas proximidades de cinco lobos mortos na região de Alfedena. A presença desse material levou à suspeita de que outros animais, encontrados em Pescasseroli, também tenham sido vítimas de envenenamento. Exames laboratoriais estão em andamento para identificar a substância envolvida e confirmar a causa das mortes.

Segundo as autoridades do parque, o fato de diferentes espécies terem sido encontradas mortas simultaneamente aponta fortemente para um envenenamento intencional. O caso acende um alerta especial devido à presença do urso-pardo-marsicano na região, uma subespécie criticamente ameaçada que habita as montanhas dos Apeninos e pode estar igualmente em risco.

O promotor responsável pela investigação, Luciano D’Angelo, destacou a gravidade do episódio em entrevista ao Corriere della Sera. “Ursos e lobos são símbolos desta região e não encaramos suas mortes com leviandade. As investigações iniciais indicam que foi envenenamento, mas saberemos mais tarde qual foi a substância utilizada.”

Reações

Organizações ambientais também reagiram com preocupação. A unidade italiana do Fundo Mundial para a Natureza (WWF) classificou o caso como os “crimes mais graves contra a vida selvagem dos últimos 10 anos” e denunciou o que considera uma escalada de práticas ilegais.

“Já atingimos a marca de 18 [lobos] mortos ilegalmente em apenas alguns dias”, afirmou a entidade. “Este massacre contínuo atinge o coração do nosso patrimônio natural. Espalhar veneno para atingir uma espécie emblemática como o lobo é um ato covarde e criminoso contra a biodiversidade e um ataque à segurança pública – estamos em 2026 e esses atos não podem ficar impunes.”

A organização também associou o episódio a mudanças recentes na política europeia de proteção à espécie. No ano anterior, a União Europeia rebaixou o status do lobo de “estritamente protegido” para “protegido”, medida que buscava facilitar o controle populacional após pressões de agricultores diante do aumento de ataques ao gado.

Estima-se que existam cerca de 20 mil lobos selvagens nos países da União Europeia, com a maior população concentrada na Itália. Historicamente, a espécie já foi alvo de perseguição intensa no país, sendo considerada uma praga. Esse cenário mudou na década de 1970, quando, diante da ameaça de extinção, o governo italiano instituiu medidas de proteção e proibiu a caça, conforme repercute o The Guardian.

Enquanto a investigação avança, autoridades buscam esclarecer as circunstâncias das mortes e identificar possíveis responsáveis, em um caso que reacende o debate sobre a convivência entre atividades humanas e a preservação da vida selvagem.

Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.