Israel é o primeiro país a reconhecer Somalilândia como Estado independente
Após reconhecer a região separatista da Somália, Somalilândia, como Estado independente, Israel gera nova crise diplomática; entenda!

Na última sexta-feira, 26, Israel se tornou o primeiro país a reconhecer oficialmente a autoproclamada República da Somalilândia como um estado soberano. Essa decisão histórica pode alterar significativamente as relações regionais e desafiar a posição tradicional da Somália, que se opõe à secessão da região.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, anunciou que Israel busca estabelecer uma colaboração imediata com a Somalilândia em diversas áreas, incluindo agricultura, saúde, tecnologia e economia. Em sua declaração, Netanyahu parabenizou o presidente somalilandês, Abdirahman Mohamed Abdullahi, elogiando sua liderança e estendendo um convite para uma visita a Israel.
De acordo com Netanyahu, este reconhecimento está alinhado com o espírito dos Acordos de Abraão, estabelecidos durante a administração de Donald Trump. Esses acordos resultaram na normalização das relações diplomáticas entre Israel e os Emirados Árabes Unidos e Bahrein, com outros países se juntando posteriormente ao processo.
A declaração conjunta de reconhecimento mútuo foi assinada por Netanyahu, pelo ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, e pelo presidente da Somalilândia. Abdullahi destacou em seu comunicado que a adesão da Somalilândia aos Acordos de Abraão representa um avanço rumo à paz tanto regional quanto global. Ele enfatizou o compromisso da Somalilândia em fomentar parcerias, promover a prosperidade mútua e garantir a estabilidade no Oriente Médio e na África.
Crise diplomática?
Entretanto, o governo federal da Somália reagiu à ação israelense com veemência, classificando-a como um “passo ilegal” e um “ataque deliberado” à sua soberania. Em uma nota oficial, reafirmou sua intenção de utilizar todos os meios diplomáticos e legais disponíveis para proteger sua unidade territorial reconhecida internacionalmente.
O Egito também expressou preocupação em relação à situação. O ministro das Relações Exteriores do Egito, Badr Abdelatty, manteve conversas telefônicas com seus colegas da Somália, Turquia e Djibuti para discutir o que consideram desenvolvimentos alarmantes na região após o anúncio feito por Israel. Os ministros reiteraram seu apoio incondicional à integridade territorial da Somália e alertaram que o reconhecimento de regiões separatistas poderia representar uma ameaça à paz e segurança internacionais.
A União Africana igualmente se manifestou contra o reconhecimento da Somalilândia por parte de Israel. O presidente da Comissão da UA ressaltou o compromisso firme da organização com a unidade territorial da Somália e alertou que tais ações poderiam comprometer a paz e a estabilidade em todo o continente africano, repercute a Folha de S. Paulo.
A Somalilândia tem desfrutado de autonomia efetiva desde 1991, período em que a Somália entrou em um ciclo de guerra civil. Apesar de manter relativa paz e estabilidade, a região nunca recebeu reconhecimento internacional formal até esta data. Nos últimos anos, a Somália mobilizou esforços para evitar que outros países reconhecessem a autonomia da Somalilândia.
O antigo protetorado britânico agora espera que o reconhecimento por parte de Israel encoraje outras nações a seguir o mesmo caminho, aumentando sua influência diplomática e acesso aos mercados internacionais. Em março passado, tanto a Somália quanto a Somalilândia negaram ter recebido propostas dos Estados Unidos ou de Israel para reassentar palestinos oriundos de Gaza, com Mogadíscio afirmando categoricamente sua rejeição a tal iniciativa.