Iniciativa inova ao mapear mosteiros budistas no Nepal
Pesquisadores no Nepal digitalizam mosteiros budistas para preservar a cultura e história de Dolpo, enfrentando desafios

Na região do Dolpo, localizada no noroeste do Nepal, uma equipe de pesquisadores está realizando um projeto ambicioso que visa documentar digitalmente mosteiros budistas com séculos de história. Este esforço combina tecnologias avançadas em 3D com conhecimentos em arquitetura e geodésia, resultando no primeiro registro abrangente das estruturas religiosas de Dolpo, que têm enfrentado os desafios de terremotos, deslizamentos de terra, mudanças climáticas e o desenvolvimento de infraestrutura.
Dolpo é uma enclave cultural tibetana onde as tradições budistas e Bon coexistem. A região abriga diversos templos datados do século 11, muitos dos quais estão situados em encostas remotas e ainda não foram documentados, tornando-se vulneráveis ao desgaste do tempo. Um grupo da Universidade de Tecnologia de Graz (TU Graz) realizou a mapeamento digital e a reconstrução de vários desses locais antigos, criando modelos 3D de alta resolução e planos arquitetônicos detalhados que poderão servir como referência para futuras iniciativas de conservação. Os resultados da pesquisa foram publicados na revista Heritage.
Iniciado em 2018, o projeto interdisciplinar já registrou dezoito locais budistas em Dolpo. Durante quatro missões de campo, os pesquisadores realizaram levantamentos in loco utilizando scanners a laser, estações totais, drones e câmeras DSLR – equipamentos escolhidos cuidadosamente para suportar as condições rigorosas dos Himalaias. Devido à dificuldade de acesso à área, que só pode ser alcançada a pé e carece de eletricidade ou cobertura de internet, a equipe teve que utilizar baterias solares e softwares offline para realizar os levantamentos.
Importância
Esses esforços resultaram em um valioso arquivo digital composto por fotografias, desenhos técnicos e visualizações em 3D de complexos templários como o Templo Nesar. Cada conjunto de dados fornece informações sobre o design estrutural, inscrições e iconografia dos edifícios, ajudando os pesquisadores a compreender melhor a evolução da arquitetura budista na região ocidental dos Himalaias. Além disso, a documentação tem uma função prática: serve como base para trabalhos de restauração e pode orientar esforços de reconstrução caso novos desastres naturais ocorram.
A importância desse trabalho se evidenciou após o devastador terremoto que atingiu o Nepal em 2015, quando a falta de registros arquitetônicos detalhados dificultou as atividades de reconstrução. O projeto Dolpo busca evitar perdas semelhantes ao documentar cada elemento estrutural e artístico – incluindo murais e esculturas – digitalmente.
Além da conservação do patrimônio, o projeto promove uma maior conscientização cultural e traz benefícios às comunidades locais. Ao colaborar com residentes e cuidadores dos templos, os pesquisadores têm incentivado uma apreciação mais profunda da importância religiosa e histórica dessas estruturas. A equipe espera que a visibilidade de seus esforços, compartilhados por meio de plataformas digitais, atraia patrocinadores e apoio governamental para restaurações e manutenções necessárias.
Em última análise, segundo o ‘Archaeology News’, essa iniciativa assegura que as tradições vivas centradas em torno desses templos continuem a prosperar. Esses locais não são meramente relíquias do passado; eles permanecem como centros vibrantes de adoração e continuidade cultural.